Como eu viajo: Andrea Iorio e o desafio de se manter produtivo em viagens a trabalho

Viajar faz parte da vida do italiano Andrea Iorio, 32 anos, desde sempre. Nascido em Gênova, cidade portuária da Itália, morou parte da infância nos Estados Unidos; passou algumas férias com o pai na Ásia – em países como Japão, China e Indonésia; fez intercâmbio no Egito, estágio em Israel e, desde 2011, vive no Brasil. Por aqui, foi o diretor responsável por trazer o Tinder para a América Latina, o que lhe rendeu visitas constantes aos nossos vizinhos. “Viagens são as experiências mais transformadoras que você pode ter na vida”, diz.

Voar a trabalho, aliás, ainda faz parte da rotina. Investidor de startups, especialista em transformação digital e em inovação, tem cruzado o país para palestrar sobre esses temas em grandes empresas. O ritmo ficou ainda mais intenso há dois meses, quando lançou o livro 6 competências para surfar na transformação digital, publicado pela Editora Planeta. “Tenho voado 3, 4 vezes por semana, e já tenho pelo menos umas 15 marcadas. É cansativo, mas gosto bastante.”

A seguir, ele conta como faz para manter a produtividade mesmo sem uma rotina definida.

O que não pode faltar na sua mala?

Eu sou muito minimalista em viagens. Evito ao máximo despachar mala, já tive muitos problemas com companhias aéreas que perderam minha bagagem. Levo uma boa troca de camisetas pretas, um par de calças jeans, um sapato que funcione em compromissos formais e informais e itens de cuidado pessoal em embalagens reutilizáveis e pequenas – assim não corro o risco de tirarem no raio-x do aeroporto. Nunca deixo de fora roupas para treinar e, dependendo de quanto tempo passarei fora, carrego também meu kimono de Jiu-Jitso. Esporte é a minha meditação.

 

No Camboja - Andrea Iorio dá dicas de como se manter produtivo em viagens a trabalho
No Camboja

Quais são os gadgets que sempre te acompanham?

Como aproveito o tempo em aeroportos e hotéis para trabalhar, nunca deixo meu Macbook e o iPad em casa. Uso eles como duas telas, é bem prático. Meu fone de ouvido da Marshall com isolamento acústico quebra um galho também, principalmente durante os voos e nas salas de embarque. É bom que aí os avisos no alto-falante não tiram minha concentração.

Gosto também de registrar e criar conteúdos nos lugares que tenho visitado. Para isso, levo uma câmera mirrorless, lente 50mm, tripé, microfone e o osmo pocket, estabilizador da DJI que é muito bom.

Dá tempo de explorar os destinos?

É corrido, mas uma coisa que sempre gosto de fazer é conhecer o ritmo do lugar e as pessoas que vivem lá. Quando a viagem dura mais de três dias, prefiro me hospedar em um Airbnb, e não em hotel. Isso me incentiva a fazer compras no mercado e a trocar uma ideia com os vizinhos. Ano passado fiz uma viagem a trabalho para Buenos Aires e me hospedei em um apartamento no bairro de Palermo. Foi uma delícia, me senti local.

Brasília - Andrea Iorio dá dicas de como se manter produtivo em viagens a trabalho

Alguma dica para não ficar esgotado depois de um dia de atividades longe de casa?

É difícil não cansar, mas tenho três costumes que tento sempre seguir:

1) Boa alimentação. Evito comer no avião. As refeições dos voos não são muito saudáveis, então quando viajo à noite eu janto antes de embarcar. Gosto que no Aeroporto do Galeão (Rio), por exemplo, tem o Delírio Tropical, restaurante de comida natural. Fora isso, ando com barrinhas de cereal.

2) Exercícios. É a melhor coisa para combater o jet lag. Quando chego em um destino que tem fuso-horário diferente, tento ir para a academia ou fazer uma corrida na rua (o que é bom porque aproveito para já conhecer um pouco da região).

3) Sonecas energéticas. Quando possível, coloco os cochilos na rotina da viagem, seja no carro entre um compromisso e outro ou, claro, no avião. Tenho a sorte de conseguir dormir bem em voos – levo comigo uma almofada de pescoço. Fazer um exercício mais pesado antes de voar também ajuda na hora de capotar no voo.

Além de dormir, você aproveita o tempo no voo para fazer outra coisa?

Eu acho ótimo ficar desconectado [risos]. A sensação de não receber nenhum input por alguns minutos ou horas é maravilhosa. Aproveito para ler, escrever, ouvir podcasts ou pensar nas reuniões e palestras que me esperam. É claro que, quando estou cheio de coisas para fazer, compro pacotes de internet e aproveito para responder as mensagens atrasadas no WhatsApp e mandar e-mails. Mas isso é bem raro, ainda bem.

O que é viajar bem para você?

É voltar pelo menos um pouco diferente como pessoa de quando parti. Acho que viagens sempre nos ensinam alguma coisa, e às vezes precisamos sair do dia a dia para encontrar respostas que a rotina não nos dá.


Como eu viajo é uma seção do guia além para contar os costumes e manias de pessoas legais na hora de viajar. Veja outros posts aqui.

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