Como eu viajo: Pedro Salomão, co-fundador da Rádio Ibiza e escritor

Praticamente toda semana, o empresário carioca Pedro Salomão, 39 anos, pega sua bicicleta elétrica em Copacabana, onde vive, e segue rumo ao aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio de Janeiro. O motivo? Fazer bate-e-volta em alguma cidade do Brasil.

Co-fundador da Rádio Ibiza, agência de branding musical com escritório também em São Paulo, Pedrinho, como é chamado, tem viajado com frequência para dar palestras sobre gestão e felicidade, assuntos que aborda em seus dois livros, Empreendendo Felicidade (2016) e Lyderez (2018). Entre um pouso e outro, diverte seus seguidores nos stories do Instagram com análises que faz do comportamento de alguns passageiros.

“O pessoal fica desesperado e se levanta para pegar a mala no compartimento sendo que o desembarque nem foi autorizado. É uma ansiedade que não leva a lugar nenhum, principalmente quando o avião para na remota e temos que pegar um ônibus para chegar ao saguão do aeroporto. Enquanto todos se agitam, eu pego um livro para ler e espero a saída ser autorizada. Quem está ao meu lado quase tem um ataque de nervoso”, brinca.

Como você costuma escolher para onde vai viajar?

Eu faço duas grandes viagens por ano, uma focada em família e outra sozinho. Eu e a Marília, minha mulher, temos perfis de viajantes bem diferentes: ela curte ficar em bons hotéis, descansar e não ter muitos programas na agenda, já eu gosto de passear, conhecer novas culturas. Então a gente sempre pega uns 3, 4 dias para ir para um destino mais tranquilo, e a outra viagem eu faço sozinho ou com amigos.

Gosto muito de ir para o Oriente Médio, principalmente para o Líbano, já que é de onde minha família veio. Fui três vezes para lá e sempre combino com outro destino. A última vez, em 2017, fiz Líbano e Toscana, na Itália.

E tem também as viagens rápidas com as crianças (Bento, 5, e Maria, 2), que normalmente são pelo Brasil mesmo. Gosto muito de levá-los para a serra do Rio de Janeiro e para Búzios.

Como eu viajo: Pedro Salomão, co-fundador da Rádio Ibiza e escritor - no Líbano

Alguma dica para não enlouquecer viajando com crianças?

Tenho três:

1) Entenda que viajar com crianças é sobre sair da rotina. Isso gera incômodo, mas uma vez que você saiba levar, dá tudo certo.

2) Alinhe bem com as companhias que estarão junto na viagem. É uma delícia viajar com crianças, mas elas andam menos, ficam cansadas, têm seus horários para dormir e comer. É fundamental que todo mundo esteja com isso em mente e aberto a mudanças no meio do caminho.

3) Não trate a criança como alguém bitolado. Gosto de explicar tudo da viagem para os meus filhos até para eles curtirem mais. Por exemplo, quando vou para Porto Alegre visitar a família da minha mulher, eu explico para o Bento que lá é a terra do Internacional, já que ele ama futebol; mostro no mapa mundi que o sul fica mais perto da Argentina, que ele vai encontrar um monte de gente descendente de alemão, etc. Dessa forma, ele participa e a viagem fica mais gostosa.

Como eu viajo: Pedro Salomão, co-fundador da Rádio Ibiza e escritor - em Búzios Rio de Janeiro

Por onde começa a pesquisar para montar o roteiro?

Como eu tenho viajado muito pelo Brasil para dar palestras, sempre que posso chego um pouco antes para ter um contato maior com o pessoal de lá e conhecer cultura da região.

Eu até faço roteiros, mas não sigo exatamente tudo. Gosto de ser surpreendido, receber dicas de quem já foi e de quem vive lá. Ultimamente, tenho usado o Instagram para isso. É praticamente um experimento social. Procuro hashtags do lugar, vejo quem frequenta, o que essas pessoas fazem, como se vestem. Foi assim nas minhas últimas viagens para Chapecó, Mato Grosso e Praia do Forte.

Como eu viajo: Pedro Salomão, co-fundador da Rádio Ibiza e escritor - No Rio de Janeiro

Café da manhã do hotel ou na padaria do bairro onde está hospedado?

Boa pergunta. Apesar de eu adorar tomar um suco em padarias, principalmente nas de São Paulo, eu não abro mão de dormir bem e tomar um daqueles cafés caprichados de hotel [risos].

Acordar cedo para mim não é um problema, pelo contrário, então seja a lazer ou a trabalho, gosto de aproveitar ao máximo o que os hotéis oferecem. Lembro de ter curtido bastante o da Pousada Aldeia Beijupirá, em São Miguel dos Milagres, e o do Museum Hotel, na Capadócia. Muito gostosos.

Você é do time que desfaz a mala no hotel ou do que deixa tudo guardado e trancado?

Eu desfaço a mala, gosto de ficar bem relaxado. Não costumo levar muitas coisas, mesmo em viagens internacionais eu levo mala de mão. Já sei o que sempre preciso e organizo bem os looks que vou usar na viagem, então tiro tudo da mala para ficar mais fácil. Depois é só guardar de volta. Também não sou daqueles que espalha tudo e esquece, então tudo bem.

Janela, meio ou corredor?

Janela, porque eu adoro ver o céu, mas ultimamente tenho sentado no corredor para ter mais liberdade de levantar durante o voo sem atrapalhar quem está do meu lado.

Tem uma companhia aérea favorita?

Nunca tive problema com nenhuma, sou muito bem tratado, mas a Azul me ganha com os snacks oferecidos durante o voo e pelas poltronas confortáveis.

E aeroporto, qual gosta?

Faço muitas paradas em Congonhas (SP) e gosto bastante da sala VIP da Amex de lá. O pessoal reclama que está sempre muito cheia, mas acho a comida gostosa e o atendimento é bem legal também.

Lembra de alguma viagem que tinha tudo para dar errado e no final foi ótima?

Tenho, na verdade, uma história engraçada. No ano passado, eu e a Marília tiramos quatro dias para ir só nós dois para Nova York. Ela estava super animada, era um sonho. Organizamos tudo, deixamos as crianças com as avós. Como eu tenho um relacionamento legal com o pessoal do Aeroporto do Galeão, avisei que estava com essa viagem marcada e eles me ofereceram o serviço de mordomo.

Assim que chegamos ao aeroporto, um profissional veio nos buscar no carro e acompanhar até o balcão da American Airlines, onde já nos esperavam. Estávamos fazendo o check-in, tudo maravilhoso, até que a atendente da companhia pediu o outro passaporte da Marília. A gente não entendeu, ela já tinha passado o documento. Foi quando a moça disse que aquele estava vencido.

Gelamos, né, era o único passaporte da Marília. Ela ficou desesperada, começou a chorar. Fui na Polícia Federal do aeroporto tentar resolver, mas não daria tempo. A gente tinha, então, duas opções: voltar irritado para casa e lamentar a frustração, ou aproveitar que já estava tudo organizado com as crianças e ir para outro destino, afinal, o objetivo era passar uns dias juntos. Fui para o guichê de uma companhia aérea e falei para ela ir no de outra ver para onde dava para a gente embarcar. Acabamos indo para Buenos Aires, para onde, 10 anos antes, tínhamos feito nossa primeira viagem juntos. Era para ser.

Ainda no Galeão, pela internet, reservei o melhor hotel que tinha e passamos quatro dias incríveis passeando e comendo em ótimos restaurantes. É lógico que fiquei a viagem toda tirando sarro dela e falando só em inglês [risos]. As passagens para Nova York a gente acabou usando esse ano, agora com o passaporte dela renovado, e também foi uma delícia.


Em Como eu viajo, seção semanal do guia além, vamos contar o que pessoas legais costumam fazer na hora de viajar.

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