#FuiAlém: Os achados nada óbvios de Manuela Rahal em Londres

Texto: Manuela Rahal // Fotos: Marcela Zanon

Londres é minha paixão. Se a capital londrina fosse um boy, com certeza seria o pai dos meus filhos, aquele que eu sonharia em viver junto até envelhecer. Já me declarei inúmeras vezes e ainda tenho tantas cidades para conhecer, mas essa chama ardente não vai diminuir.

Fazia menos de um ano da minha última visita e absolutamente tudo mudou. Os Pubs fecharam e outros abriram – inclusive um que estava fechado há 12 anos reabriu com a simples placa: “Sorry, we’ve been busy”. Ocupados pelos últimos 12 anos (!). Como não amar o jeito londrino de ser?

Da minha primeira vez por lá até agora, acompanhei o hype do Soho, que passou para Shoredicth  – que hoje parece Pinheirópolis -, que entregou o fervo para Hackney, que por sua vez passou a bola para o gueto ao Sul Peckham. E, agora, tudo acontece no Sul. E todos os meus amigos já estão procurando casas por lá, pois Peckham oferece uma vida residencial delícia bem pertinho da vibe galpões, fervo e rave 24 horas. Aliás, dessa vez concluímos que Londres é uma eterna rave.

Abaixo, a lista dos hot spots que conhecemos. Ah, mas não demorem muito, pois as pessoas ficam enlouquecidas e podem mudar a rota a qualquer momento.

Mare Street Market

Comecemos por East London, Hackney, o Borough que nos abriga. O Mare, como muitos lugares por lá, são mais multitask que todas as mulheres que eu conheço juntas. Eram 3 horas da tarde e o segundo DJ entrava com uma pista bem disco, onde pais dançavam com crianças, dividindo a pistinha com punk’s e posh’s. No belíssimo balcão de madeira, você tenta conseguir um espaço para pedir drinks e petiscos – comemos a pizza, pois nos disseram que era o forte.

No mesmo espaço, você encontra uma loja com animais empalhados, tapetes, roupas e discos. Tudo acontecendo ao mesmo tempo, na maior harmonia.

Endereço: 117 Mare St | marestreetmarket.com/


Netil House

Do market fomos até o Netil, ainda em East London, outro lugar 100% mixado: bar (obviamente, é tudo sobre drinks naquela terra) + jardim + café + estação de trabalho. Mas o forte mesmo é o rooftop, ainda mais em um dia de frio, porém com um baita sol (abençoadas).

dicas nada óbvias de Manuela Rahal em Londres

O lance é aquele: pegue seus drinks e curta o rooftop. Vá com a sua galera, pois lá ninguém quer saber de fazer amizade e isso é padrão na cidade como um todo. Não quero desanimar, mas se for à Londres sozinho, é bem provável que siga nesse mesmo status.

Endereço: 1 Westgate St, London E8 3RL | netil360.com


NT’S

Vizinho do Netil, seguindo o rolê acertando de bar em bar, o NT’s talvez tenha a melhor playlist de pub que já escutei. Outro lugar fervido e com uma área externa bem agradável – estava um baita frio esse dia e o aquecedor salvou – é a foto do abre (estou com a Marcela Zanon, Renato Campana e Sabrina Gevaerd).

dicas nada óbvias de Manuela Rahal em Londres

 

Endereço: 207, 1 Westgate St. | ntbar.co.uk/


Brilliant Corners

Este restaurante em Dalston tem uma das melhores comidas japonesas que já comi. Isso já seria mais do que suficiente, mas, calma, pega essa lista do soundsystem que compõe a harmonia das noites do Brillant Corners: Toca discos Technics SL1210s + Mixer rotativo Bozak + 4 caixas Klipschorns + alto-falantes japoneses TAD montados em armários personalizados (feitos por Tom Smith do Cosmic Slop) com o Klipsch La Scalas no topo.

dicas nada óbvias de Manuela Rahal em Londres

(Eu não conhecia tudo isso, mas minha curiosidade e muitos pints me renderam um papo com um cara que trabalhava lá).

Resumindo: o Caracol, bar de São Paulo, foi inspirado neste lugar 😉

Endereço: 470 Kingsland Rd, Dalston | brilliantcornerslondon.co.uk/


Peckham Levels

Um antigo estacionamento de 7 andares ocupado por um pouco de tudo. Coworkings, salão, alguns pubs, todos os tipos de jogos, restaurantes. Uma Balsa (outro bar de São Paulo) em grandes proporções. Cada escada de uma cor, cada espaço com a sua própria cara, pqp que lugar incrível.

Já dei a letra: Peckham é o novo lugar fodão de Londres, o Sul está on fire, se for até lá, não deixe de passar pelo Peckham Levels.

dicas nada óbvias de Manuela Rahal em Londres

Endereço: 95A Rye Lane | peckhamlevels.org/


Conservatory Archives

dicas nada óbvias de Manuela Rahal em Londres

Em Londres faz muito sentido um lugar ser 15 coisas ao mesmo tempo – aquilo que você vê em Pinheiros e acha o máximo, provavelmente foi inspirado lá. E se tem um combo que vale muito a pena, é o Conservatory, um maravilhoso café que fica dentro de uma loja de botânica, ou uma loja de plantas com um café dentro. Tanto faz, o que importa é conhecer e pedir o bolo de matcha.

Endereço: 3-7 Lower Clapton Road | conservatoryarchives.co.uk/


Mildred’s Dalston

Vegano? Esse é o seu lugar em Londres. Na real, a visita já é válida para conhecer o espaço, que é lindo demais. E daí, quando chegam os pratos, você não quer mais ir embora. Para finalizar, um café nas mesas de madeira na área externa.

dicas nada óbvias de Manuela Rahal em Londres
foto: divulgação

Endereço: Thomas Tower, 1 Dalston Square | mildreds.co.uk/dalston/


Serpentines Galleries + Chucs Restaurant

Cada vez tenho tido menos vontade de visitar museus grandes e pirado mais nos pequenos espaços e galerias. E vem aí o exemplo perfeito do que estou falando: a Serpentines é composta por duas galerias que ficam dentro do Hyde Park, então o passeio começa com uma caminhada delícia até chegar nas galerias.

dicas nada óbvias de Manuela Rahal em Londres

Para complementar esse rolê, o restaurante projetado por ninguém menos que Zaha Hadid. Aqui vem a dica de ouro: a comida não é nada demais e é caro, mas você pode pedir para usar o banheiro ou tomar um drink, pois é lindo de morrer e querer viver mais.

Endereço: Kensington Gardens | serpentinegalleries.org/


Soho Greek Street + White City House

Fomos fazer um tour nas famosas Houses de Londres e escolhemos duas bem diferentes para entender a vibe. Para quem não conhece, a rede Soho House é um sistema de membership focado em pessoas do mercado criativo. Para ser membro, é preciso ser indicado por outros membros. Basicamente a vida social dos londrinos acontece dentro dessas casas, que atualmente estão espalhadas pela cidade e por vários outros países. Bare, cafés, restaurantes, cinemas, piscinas, festas, eventos, apresentações, estações de trabalho. Ou seja, tudo dentro de espaços exclusivos só para quem faz parte.

A casa da Greek Street fica no próprio Soho e foi uma das primeiras no movimento, suas instalações são mais tradicionais, extremamente charmoso.

 

Já a casa de White City, West London, traduz exatamente o que o bairro é: um lugar que até ontem não existia e hoje é um dos boroughs que mais cresce, inclusive a sede toda da BBC acaba de se mudar para White City.

Em Londres há um esquema meio Abu Dhabi, um dia descampado, uma semana depois tudo construído. Entre os vários andares do prédio White City, alguns restaurantes, um cinema e uma baita piscina no rooftop.

Endereço: 40 Greek Street, London | sohohousegreekstreet.com/

Endereço: Television Centre, 101 Wood Lane | whitecityhouse.com/


Coal Drops Yard

dicas nada óbvias de Manuela Rahal em Londres

Um conglomerado de arte, moda e gastronomia, ou seja, tudo que um shopping deveria ser, mas em um baita lugar aberto e lindo. Tudo isso em King’s Cross, na região de Camden. Lojas bem misturadas, de Paul Smith à AESOP, e alguns restaurantes delícia. Almoçamos em um chamado Morty&Bob’s, dos mesmos donos do NT’s, destaque para esse maravilhoso prato de kale, abóbora e avocado.

Endereço: King’s Cross London| coaldropsyard.com/


dicas nada óbvias de Manuela Rahal em Londres*Manuela Rahal é jornalista e relações públicas, à frente da empresa Rahall, que atende marcas como Nike, MECA, Selina, Pernod Ricard. Já escreveu para alguns veículos sobre economia e tecnologia e hoje tem como principal atividade o seu site rahall.co, onde, junto com colaboradores ao redor do mundo, escreve sobre os mais diversos temas, inclusive viagens. Com a flexibilidade de ter o próprio negócio, ela começou a viajar para os mais diversos destinos, com o objetivo de retratar a realidade, especialmente os momentos difíceis que acontecem durante viagens, mas que nunca estão no instagram.

Viajar bem para mim é não ter relógio, é pensar em sair de casa para o café da manhã e não saber quando e nem se vai voltar. Viajar bem é estar preparada para as mais diversas aventuras, com uma mala inteligente, que te deixe confortável do jantar de gala até o passeio de camelo. Viajar bem na minha opinião exige programação, é ir com tudo pago, sem pensar em se endividar e em parcelar o cartão na volta.

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