#FuiAlém: Ricardo Braz e os vulcões da Guatemala

Texto e fotos por Ricardo Braz*

“Guatemala? Fazer o quê?” Essa pergunta ainda é bastante comum quando alguém diz que vai para lá, embora o destino seja repleto de atrações. Mais desenvolvido e seguro que as vizinhas Honduras e El Salvador – e mais barato que os famosos Costa Rica e Panamá –, o país não pode ficar de fora no seu roteiro pela América Central, principalmente se o objetivo for curtir dias de natureza.

Visitei a Guatemala em março de 2019, fiquei 15 dias e me apaixonei pelo país. Logo fui recebido com um povo extremamente feliz e sorridente, apesar de toda a simplicidade. No primeiro dia já conheci diversos viajantes, a maioria jovens europeus e, apesar de estar viajando sozinho, não fiquei só sequer um dia.

O país é mais visado por mochileiros que buscam um pouco mais de aventura e por casais de aposentados vindos principalmente dos EUA e Europa buscando o sossego da colonial e colorida cidade de Antigua, considerada Patrimônio Nacional da UNESCO. Um pouco de contexto histórico: A cidade era a capital até que uma grande tempestade atingiu o país e fez com que a cratera do Vulcão de Água, próximo à cidade, transbordasse e causasse um enorme alagamento, em 1773. 

Três anos depois, o governo decidiu transferir a capital para uma nova cidade, denominada de Cidade da Guatemala, em um lugar mais protegido dos perigos dos vulcões. O subcontinente da América Central surgiu há milhares de anos por conta do movimento de placas tectônicas que geraram milhares de vulcões e terras ao seu redor. E a Guatemala é prova viva disso. São cerca de 30 vulcões no país que promovem um espetáculo à parte.

A atração principal do país e ponto alto de todo viajante que conheci durante minha viagem na América Central é a trilha do Vulcão Acatenango. Em seu topo, a 4.200 metros acima do nível do mar, é possível ver, de forma privilegiada, o famoso Vulcão de Fogo, um dos poucos ainda ativos no país.

A trilha não é fácil, são cerca de 8 horas de subida até chegar ao acampamento, onde é necessário pernoitar em temperaturas gélidas em tendas para ver as erupções e a lava durante a noite.

 

 

No dia seguinte, mais 1 hora e meia de subida até o cume do Acantenango para ver o nascer do sol. Depois de cumprir a missão e presenciar um amanhecer incrível, hora de descer a montanha e voltar para a cidade de Antigua, o hub dos viajantes e onde a maioria das viagens tem início.

A cidade oferece diversas opções de acomodação, restaurantes e passeios turísticos para todos os budgets. É possível comer por 1$ em restaurantes locais e hospedar-se por 5$/noite em hostels, da mesma forma que existem hotéis de 200$/noite e bons restaurantes continentais.

Uma coisa é certa: uma viagem à Guatemala pode ser feita com um budget reduzido.

De Antigua também saem transportes para todos os cantos do país e para os vizinhos México, Belize, El Salvador e Honduras. Apesar da facilidade, se prepare para viagens longas e cansativas em ônibus ou mini-vans – não existe outro jeito de chegar em outros pontos.

Outro lugar à ser visitado no país é o Lago de Atitlán. Rodeado por 3 vulcões, o imenso lago oferece, provavelmente, as melhores vistas da Guatemala. São diversos vilarejos ao redor dele, conectados por frequentes lanchas rápidas, que oferecessem propostas distintas.


 

*Ricardo Braz, 24 anos, carioca, é fotógrafo e adora registrar suas viagens pelo mundo, principalmente para destinos mais exóticos. Já visitou 62 países nos 5 continentes e conta com algumas grandes aventuras na bagagem, incluindo trilha ao Acampamento Base do Everest no Nepal, mergulho com arraias e tubarões nas Maldivas, noite em yurts no Quirguistão e caminhada na beira da Porta do Inferno do Turcomenistão. 

“Uma boa viagem é aquela que me desafia e que me torna uma pessoa melhor de alguma maneira. É aquela que ensina algo a todo momento, seja em relação a novas culturas, pessoas, comidas ou ambientes.”


_VÁ ALÉM_

Melhor época para ir: Para aproveitar o visual e a beleza das montanhas e vulcões, o ideal é ir entre novembro e fevereiro, meses ensolarados e com pouca precipitação de chuva. Em geral, a temperatura média na Cidade da Guatemala é de 20 graus. De junho a outubro costuma chover com frequência, principalmente em setembro, mas não se preocupe que o volume não é grande. De novembro a maio o clima é mais seco. Curte calor? Então vá em abril, que é o mês mais quente.

Como chegar: Não há voos diretos que conectam o Brasil e a Guatemala, mas é possível viajar para lá saindo das principais cidades nacionais com companhias aéreas como a Copa Airlines fazendo conexão em outros países. O principal aeroporto da região é o Aeroporto Internacional La Aurora (GUA), na Cidade da Guatemala. De lá, há transfers terrestres para Antigua que fazem o trajeto em cerca de 1 hora – muitos hotéis oferecem este serviço. Para visitar Tikal, há vôos que saem da Cidade da Guatemala com destino à Flores.

Como se locomover: Ônibus de linha atravessam a região, mas não são muito confortáveis – além de cheios. Hotéis e agências de turismo oferecem o serviço de shuttle, que acaba sendo a melhor opção para turistas.

Visto: Não é necessário, apenas o passaporte dentro da validade.

Moeda local: É o Quetzal (até o fechamento deste post, em setembro de 2019, o câmbio estava 1 Quetzal = R$ 0.54).

O que não pode faltar na mala: Tênis, roupas confortáveis para fazer trilhas e passear pela natureza, capas de chuva e um casaco para as noites frias. Leve hidratante para a pele, pois o clima é um pouco seco, garrafa térmica de água, protetor solar e boné.

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