João Varella, da Lote 42 e Banca Tatuí, indica 5 livros para ler com os pés na areia

Foto: Marcus Steinmeyer/Divulgação

Desde pequeno, o jornalista gaúcho João Varella, 34 anos, está acostumado a ler em movimento. Filho de pais separados, com frequência ele pegava o ônibus que partia de Guaíba, no Rio Grande do Sul, sua cidade natal, com destino a Joinville, em Santa Catarina, para visitar o pai. “Os livros sempre me acompanharam. Por várias vezes eu era o responsável pela única luz acessa na viagem”, brinca.

Há 10 anos ele vive em São Paulo, onde comanda com Cecília Arbolave, sua mulher e sócia, a Lote 42, editora independente que fundou em 2012, e a Banca Tatuí, que já virou ponto turístico em Santa Cecília, região central da capital.

Agora, as viagens de ônibus dão lugar aos vários voos que pega para participar de eventos literários Brasil e mundo afora. “Carrego meu Kindle para todos os lados e leio até pelo celular, mas tem livros que prefiro no papel mesmo”, conta.

Só esse ano, João já esteve em Brasília, Argentina, Colômbia e Suíça. Quando a vida profissional permite, vai para a Villa La Angostura, na Argentina, perto de Bariloche. “Lugar maravilhoso. Tranquilo, silencioso, com muita natureza. Tudo o que São Paulo não é”, diz.

“Um costume que tenho colocado em prática é o de viajar apenas com livros que eu não tenha pena de dobrar a orelha – ou, no caso do Kindle, com uma capa. Quando a gente joga na mochila, o marca páginas se perde, o aparelho às vezes encosta em algo e eu perco onde estava na leitura.”

Para este bate-papo com o guia Além, que aconteceu na Sala Tatuí, em São Paulo, espaço onde dá cursos e oficinas de literatura, o assunto foi praia. Não é um destino que costuma aparecer muito em sua rotina – na infância, ia bastante com a família para a praia de Imbé, no Rio Grande do Sul – mas ele conta que passou a última virada do ano em Natal, no Rio Grande do Norte, e segue sonhando com Genipabu.

“Não pela papagaiada dos bugues e camelôs, mas pela praia em si que é maravilhosa. A mistura de calor e vento daquela terra parece ter sido feita sob medida.”

A seguir, João dá dicas de leitura que combinam com pés na areia 😉

 

Marlon Brando: Vida e Obra – Gustavo Piqueira

“O livro já começa com uma provocação: não conta a história do ator Marlon Brando e muito menos é ele na capa (e sim o ator James Dean).

A trama é sobre um publicitário chamado Marlon Brando Dias Fuzetti que cresceu em Alvinópolis, teve sucesso em São Paulo capital e, agora, está tendo de lidar e superar as durezas da vida real.

É uma leitura agradável e bem humorada.”

 

Amora: Contos – Natalia Borges Polesso

“Esse talvez seja o mais denso entre as minhas indicações. São vários contos que têm como principal foco as questões femininas.

Eu acho interessante para o ritmo de férias e descanso porque parece que tem um padrão de tamanho de mais ou menos 5 páginas por conto, o que torna a experiência de leitura gostosa e é fácil de encaixar na rotina de praia. Eu lia um conto por dia antes de dormir

A autora, Natalia Borges Polesso, soube conduzir bem a narrativa. Dá para abrir o livro e escolher um conto para ler, mas dificilmente você vai querer ler fora da ordem.”

 

 

 

Dinâmica de Bruno 2 – Bruno Maron

“Esse livro é um ‘falso relapso’. Você pega para ler, olha o traço das ilustrações e acha que foram feitas de qualquer jeito. Mas ao longo da leitura você percebe que tem todo um cuidado: as expressões dos personagens, inspirados no jogo Cara a Cara, são bem feitas e há vários detalhes nos desenhos.

É um humor que exige um pouco do leitor. O Bruno tem essa característica de misturar o popular com a alta cultura. O livro é cheio de referências.

Ele é um cara que presta muita atenção nas coisas, nas conversas, no jeito que as pessoas falam e isso está bem presente na obra.”

 

Queria Ter Ficado Mais – várias autoras

Foto: Divulgação/Luis Gomes

“Essa obra, que eu advogo em causa própria – afinal, saiu pela Lote 42 –, traz histórias de viagens narradas por 12 escritoras, todas mulheres. Cada uma se passa em um lugar: tem Tóquio, Buenos Aires, Londres.

O diferente do livro é que ele foi publicado em formato de cartas. A gente queria que ele se destacasse nas prateleiras de livros de viagem. Chegamos a pensar em algo no formato de passaporte, mas, em uma feliz madrugada, me veio a ideia de separar cada história em uma carta. Na hora já pesquisei quanto sairia a impressão e deu certo.

O legal é que pode ser lido sem uma ordem definida. Ou melhor, o leitor escolhe a ordem que deseja. Se estiver acompanhado na viagem, dá para compartilhar as cartas com outras pessoas também.”

Magra de Ruim – Sirlanney

“A cearense Sirlanney é uma força da natureza do quadrinho brasileiro.

Ela já vinha fazendo sucesso na internet com o blog Magra de ruim, onde publicava sobre o bullying que sofria na época de escola, e neste livro homônimo compilou alguns desses conteúdos. É nítido como ela se entrega ao assunto e narra situações e traumas pessoais.

Uma de suas principais influências é a artista equatoriana Powerpaola, autora de QP, que a Lote 42 editou e publicou no Brasil pouco tempo depois do lançamento da Sirlanney.”

 

 

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