Novo normal: como foi viajar pela China pós-pandemia

 

A desenvolvedora de produto Renata Dória Miguel mora em Shenzhen, na China, há cinco anos, e no final de semana passado fez sua primeira viagem no país pós-quarentena. Aqui ela conta como foi.

 

Por Renata Dória Miguel

 

Estamos em quarentena voluntária desde fevereiro, quando voltamos do feriado de ano novo chinês. Na nossa cidade ela não foi compulsória (não fomos obrigados a ficar em casa), mas foram 12 dias sem colocar os pés para fora e muita paciência até tudo retomar aos poucos, o que aconteceu no início de abril.

Apesar da situação estar controlada há algum tempo por aqui, ainda não nos sentíamos seguros para viajar, pois havia várias restrições quanto a voos, trens e exigências diferentes de província para província (como apresentar teste negativo para Covid-19, por exemplo).

Quando as coisas começaram a afrouxar, resolvemos passar um final de semana em Beijing, pois estávamos loucos para voltar a Grande Muralha.

 

aviao_renata_china

 

O país ainda esta usando muita tecnologia da informação para cruzar dados e manter a população segura. Rastreabilidade é a palavra e as fronteiras ainda estão fechadas para estrangeiros.

A grande diferença que sentimos em Beijing foi o aeroporto mais vazio. A cidade é sempre um “formigueiro” perto das principais atrações, aeroportos e estações de trem. Não foi isso que vimos dessa vez.

O check in do hotel também foi mais lento, pois tivemos que preencher um atestado de saúde através do celular (com foto e locais onde estivemos), e mostrar nosso último carimbo de entrada no país.

 

re china

 

Aproveitamos para visitar o Palácio de Verão, que agora tem disponível somente tíquetes comprados com antecedência e limitou sua capacidade a 5.000 visitantes durante a manhã e 5.000 visitantes durante a tarde (os números estão aumentando a cada semana). Para referência, antes do vírus, durante grandes feriados, nosso guia disse que a atração chegava a receber 100.000 pessoas por dia (algo bem factível pra cá, apesar de parecer uma loucura).

 

 

A máscara ainda é obrigatória em locais fechados, porém quase todo mundo usa também nas ruas.
Há checks de temperatura na maior parte dos lugares , como shoppings e restaurantes.

Na volta, no aeroporto, vimos que todos respeitaram certo distanciamento social na área de embarque. Porém dentro do avião não teve nada disso, apenas passageiros e tripulação com máscaras durante todo o trajeto.

A viagem foi ótima e serviu para quebrar essa barreira de medo pós pandemia-quarentena que passamos. Aos poucos estamos vendo vários países melhorarem e nossa maior torcida é para o Brasil se livrar disso logo.

Porém, recebemos um balde de água fria nos últimos dias: acabou de aparecer um surto em Beijing de novo, apenas uma semana depois que fomos embora e depois de dois meses sem novos casos. Nosso guia lá estava com vários tours agendados e teve de cancelar tudo novamente.

O novo foco surgiu em um mercado geral (de frutas, bebidas e carnes). Estávamos muito longe, pouca chance de qualquer coisa, mas ficamos com medo por conta do voo que estava bem cheio. Fizemos os testes e, ufa!, deu negativo.

 

re teste covid

 

Apesar de ser difícil enxergar, existe luz pós todo esse caos que vivemos. Aqui em Shenzhen, onde vivem 15 milhões de habitantes, estamos sem novos casos há três meses. Mas até que surja uma vacina 100%, viveremos em estado de alerta constante. Eu até estava mais relaxada na rua, porque locais abertos não exigem mais o uso de máscara, mas agora voltei a usar 24/7 – só não dentro de casa, e olhe lá [risos]

 

china pos pandemia


 

Veja também: Trouxe na mala  – as lembranças da Renata Dória Miguel

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