Cliques por aí: 8 fotógrafos compartilham fotos e relatos de viagem

 

Quem não gosta de tirar fotos em viagens? Para celebrar o Dia Mundial da Fotografia (19/8), convidamos 8 fotógrafos e fotógrafas para compartilharem fotos e relatos de viagens que marcaram suas vidas – e, de quebra, indicarem aplicativos. A seguir, veja cliques feitos em Cuba, Estados Unidos, Paris, Rússia e Ceará.

 

Cuba, por Ana Oliveira Rovati

 

cuba por ana rovati

 

“Essa imagem foi feita em Cuba, em 2009. Era o aniversário de 50 anos da revolução no país.
Escolhi ela porque tem a ver com o início da minha história como fotógrafa. Foi feita com a minha primeira câmera digital.

Além disso, poucos anos depois ela foi selecionada por um festival francês, meu primeiro reconhecimento “profissional” como autora.

Definitivamente, essa fotografia e as duas viagens (para Cuba e depois para a França, no festival) me marcaram muito.

APP: Sobre o app, não uso. rs. Minha dica: se o seu desejo é fotografar, o faça com o que tiver, você pode falar mais que o seu aparelho.”

Veja mais sobre o trabalho da Ana aqui: site | instagram


Jericoacoara (CE), por Breno da Matta

 

 

“O ano de 2016 foi muito legal pra mim. Tive a oportunidade de viajar muito a trabalho e conhecer lugares que nunca pensei em conhecer. Mas, com toda a certeza, o lugar mais incrível foi Jericoacoara.

Fui fotografar uma campanha e acabei passando quase 10 dias nesse pedaço de paraíso. Deu pra conhecer tudo da região e eu me lembro muito do primeiro momento em que me vi no meio das dunas, completamente cercado por areia e piscinas naturais de água doce assistindo a um dos pores do sol mais lindos que já presenciei na vida. Foi a primeira vez que eu realmente me emocionei com a natureza.

 

 

Eu já conhecia muitos lugares lindos do Brasil e alguns de fora na época, mas revendo essas fotos hoje me lembro perfeitamente do sentimentos dessa viagem que foi inesquecível. Ansioso pra viajar pra qualquer lugar e viver esse sentimento de descoberta de novo.

APP: Eu acho que minha dica não é mais inovadora mas eu vou indicar UNFOLD , é um app que você consegue colocar molduras lindas nas fotos. Uso principalmente em viagens para criar stories bem como se fosse um álbum de fotos mesmo.”

Veja mais sobre o trabalho do Breno aqui: instagram

 

 


Paris, por Helena de Castro

 

“Em 2010 eu comecei a desenvolver uma série de fotos sobre a infância da criança contemporânea. Normalmente as fotos tinham alguma brincadeira provocada pelas estampas das camisetas ou que remetessem a algum personagem de filme. Em 2013, viraram parte da Exposição Fotonovela, no Itaú Cultural – mesmo muitas sendo feitas com celular.

 

 

Em 2014, fui com o meu filho Luca, na época com 9 anos, para Paris e aproveitamos para fazer ainda mais imagens para a série. Tivemos a oportunidade de passar quase dois meses na cidade, justamente no verão. Era a segunda vez do meu filho lá, mas foi muito mais proveitosa.

Visitamos todos os museus, andamos a cidade toda de patinete e aproveitamos para fazer passeios que não costumamos incluir nas viagens de 10/15 dias, como um parque aquático onde éramos os únicos brasileiros (milagre! haha) ou subir o Canal de St. Martin de barco, atravessando quase 5 km de Paris.

 

 

Alguns comentários do Luca sobre os museus:

Louvre: “muito cheio, mas vimos tudo que interessa. Ainda bem que temos a vida toda pra voltar”(pra ele o que interessava era a Monalisa, a Vênus de Milo e a estátua da ilha de páscoa, mas vimos bem mais);
Pompidou: “achei o prédio muito mais interessante que as obras”;
Museu da história natural: “prédio lindo, museu chatinho”;
Cité des Sciences: “bem legal! Um Pompidou para crianças”;
Palais de Tokyo: duas exposições bem legais. Na terceira não podia tocar, mas tinha mulher pelada”;
– Museu d’Orsay: “como assim não pode fotografar???”.

APP: Naquela época eu editava a foto num app chamado câmera+, mas hoje em dia uso bastante o Lightroom e as próprias ferramentas de edição do iPhone e do Instagram.”

Veja mais sobre o trabalho da Helena aqui: site | instagram


Rússia, por Jorge Lepesteur

 

jorge lepesteur

 

“Essa foto é muito especial e um marco na minha viagem para Rússia. Foi muito curioso encontrar, num frio de 5 graus, pessoas de trajes de banho e roupas íntimas encostadas na margem de um rio lotado de blocos de gelo celebrando o sol que acabava de aparecer em São Petersburgo.

Eu estava congelando usando roupas de frio e segunda pele, mas para os russos aquele frio era simplesmente uma brisa de verão. Depois de ter tirado essa foto, olhei para o rio e de repente um cidadão enorme emergiu de dentro da água entre os blocos de gelo do seu banho matinal. Essa é a Rússia que eu nunca tinha imaginado. O destino é surpreendente!”

APP: Eu uso o app Lightroom Mobile da Adobe para editar algumas imagens pelo celular.

Veja mais sobre o trabalho do Jorge aqui: site | instagram


Cuba, por Anna Fischer

 

anna fischer

 

“Foi uma viagem que dei de presente para o meu irmão. Foi incrível porque meu irmão é uma pessoa incrível e independente do lugar que a gente fosse, com certeza seria uma viagem inesquecível.

Cuba é um destino que todo mundo tem no imaginário por tudo que ouvimos falar e como é. Tive até uma tensão pré-viagem de bloqueio de fotografia, de achar que eu já sabia tudo o que encontraria lá, como os carros coloridos antigos, as cubanas com charuto na boca… essas imagens que a gente já tem e que todo mundo já viu nas revistas de viagem.

Para mim foi um desafio legal encontrar o meu olhar dentro de tudo que a gente via e fotografar de uma maneira diferente, tentar exercitar o meu olhar e sair do óbvio. Vale dizer que essa viagem foi em 2009, época em que eu ainda não fotografava profissionalmente – comecei mesmo em 2010, quando fui morar em Nova York e fazer curso lá.

Escolhi duas fotos: a do dominó, que eu gosto muito. Não é propriamente uma foto de turista, tem um momento ali muito particular, gosto muito das cores, do ângulo, do gesto que o cara está fazendo no dominó.

 

anna fischer

 

A foto vertical eu estava em um terraço que dava para o mar, para o Malecón, e tinha essa fachada demolida. Do meu ponto de vista eu enxergava o mar exatamente em cima de onde acabava essa fachada e o cara pela porta ou janela, sentado, com pescadores na parte de cima.

 

anna fischer

 

São duas imagens que eu gosto muito e que fogem do óbvio de Cuba. Também fotografei o óbvio, com as pessoas, o feio que é belo, o destruído, as roupas secando na janela, crianças brincando na rua… tem essa pobreza na vitrine das lojas, com só três relógios, nenhum celular… mercado que não tem nada… são coisas curiosas.

Não fui à Cuba bonita ver o mar – o país tem praias paradisíacas, com água super transparente, mas a gente não quis fazer isso. Fomos só para Havana e Trinidad, que é uma cidade colonial muito parecida com Paraty, Tiradentes e é muito musical.

Foi uma viagem de muito conhecimento e de muita troca com o meu irmão, a gente escrevia muito cada um no seu Moleskine. Até fizemos um blog juntos para contar um pouco dessas impressões e dessas diferenças, principalmente saindo de um lugar e indo para o outro… Foi muito gostoso, gravamos muitos áudios com o celular sobre as nossas primeiras impressões e dias.”

APP: A Color Story

Veja mais sobre o trabalho da Anna aqui: site | instagram


Veja também: 5 aplicativos para editar fotos de viagem

 

Las Vegas, São Francisco e Los Angeles, por Rubens Kato

 

kato

 

“Essa viagem tinha tudo pra dar errado: famoso vôo de 00h30, achava que era na madrugada seguinte, mas descobri que faltando 2 horas para ele decolar. Resumindo: fiz a mala do zero em 7 min. Tinha 40 minutos pra chegar em Guarulhos (ainda bem que já era fim de noite, sem fila pro check-in e polícia federal).

Na escala no México, descubro que estou sem a carteira, caiu na garagem do meu prédio. Por sorte, um dos amigos que iríamos encontrar em São Francisco estava no brasil e levou pra mim. Passei 5 dias sem carteira e pouco dinheiro vivo.

De resto, foi incrível. Vegas com seus personagens pitorescos e uma paisagem de tirar o fôlego. Subimos de carro até São Francisco, parando aonde e quando quiséssemos, dormindo nos motéis de beira de estrada igual dos filmes.

São Francisco é uma das minhas cidades prediletas, lugar lindo, pessoas incríveis, comida, tecnologia, moda, etc. Big Sur é tudo o que dizem mesmo, todas as cidades na rota são charmosas. A vista é impressionante, montanha e praia, tudo junto. Pontes, faróis, surfistas, diners na beira da estrada.

Los Angeles é gigante, comida incrível e tudo longe. Cada lugar que você passa, reconhece de algum filme ou de alguma missão do GTA.

Para finalizar, escala de volta no México. 10h pra sair do aeroporto, comer o melhor taco da vida e voltar. Enfim, quero fazer essa viagem de novo – agora, acertando a hora do vôo, carteira em mãos e os mesmos amigos.

APP: Nessa viagem eu praticamente usei o app nativo do iPhone para tratar as imagens mais rápido. Tá muito completo e resolve muito bem. Para tratamentos mais complexos, uso o Lightroom Mobile. São ajustes mais finos e com muito mais funções.”

Veja mais sobre o trabalho do Kato aqui: site | instagram


Fortaleza (CE), por Mari Caldas

 

mari caldas

 

“Eu tenho infinitas fotos de viagem, mas acabei escolhendo essa que eu tirei em Fortaleza durante uma viagem à trabalho. Escolhi essa porque para mim essa dança das nuvens na imensidão do mar me traz serenidade. Me lembra de respirar fundo e sentir a brisa, o vento, o momento. E eu acho que é um pouco essa a mensagem que eu quero passar nesses tempos de incertezas: viver a vida, aqui e agora.

APP: Um que eu amo e uso muito, inclusive para tratar fotos que eu tiro na câmera às vezes, é o VSCO.”

Veja mais sobre o trabalho da Mari aqui: site | instagram


Guatemala, por Ricardo Braz

 

ricardo braz

 

“A Guatemala é um destino ainda inexplorado, relativamente acessível, com bastante opção de restaurante e de acomodação. É uma super viagem aqui pertinho que recomendo para todo mundo. A foto, no topo do vulcão Acatenango, foi tirada em fevereiro de 2019, quando fiquei duas semanas lá (consegui alguns trabalhos, então foi uma semana trabalhando e outra viajando).

Esse é o programa mais conhecido lá: você sai da cidade de Antígua, que é a antiga capital da Guatemala, dirige duas horas e pouco até chegar no pé do vulcão. E aí são de 8 a 9 horas de subida de trilha. É uma trilha difícil, íngreme, mas acessível para todos os níveis porque não tem dificuldade técnica, apesar de ser cansativa.

Você sai de manhãzinha e chega um pouquinho abaixo do topo do vulcão, que é onde a gente monta acampamento, e aí você vê o pôr do sol lá do topo dentro da sua barraca porque faz muito muito frio e é muito alto, mais de quatro mil metros de altitude. Quando começa a anoitecer, dá para ver lava saindo do vulcão. É um espetáculo muito, muito lindo.

No dia seguinte, acordei cedo e caminhei mais 200 metros para cima, como fosse uma escalada, basicamente para chegar no topo do vulcão, que é de onde eu fiz essa foto um pouquinho antes do nascer do sol. É um dos pontos mais altos do país, então dá para ver basicamente todas as cadeias montanhosas. Atrás são os sete vulcões do Lago de Atitlán, por isso eu gosto tanto dessa foto.

APP: Photopills! É um app pago, mas incrível. Ele permite ver posição do sol, lua, e estrelas de qualquer localização. Além de diversas outras funções mais avançadas, como chuvas de meteoro, eclipses, cometas etc! Muito bom para entender a luz nos lugares.”

Veja mais sobre o trabalho do Ricardo aqui: site | instagram


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