Como não passar perrengues em Tóquio

A fotógrafa paulistana Helena de Castro* acabou de visitar o Japão pela primeira vez e, depois de 12 dias no país (e uma semana tentando se adaptar de volta ao fuso-horário brasileiro), ela dá dicas de como curtir Tóquio sem passar perrengues.

 

Como não passar perrengues em Tóquio

1) Baixe o Google Maps e o Google Tradutor

Difícil viver sem. Em geral eles falam muito pouco inglês, só em hotéis, lojas de luxo e fast fashion. A impressão que deu é que eles nem têm muito interesse em aprender, ou que só os mais jovens e descolados sabem. Até as placas de rua são 100% em japonês (será que com as Olimpíadas será diferente?), por isso vale a pena apontar o celular para as palavras e o app do Google vai te dizer o que é.

2) Desapegue do Uber

Como não passar perrengues em Tóquio - por helena de castro

O fato de ter a Erica, minha irmã, morando lá, facilitou bastante nossas andanças pela cidade. Eu e a Paula, minha outra irmã e companheira nessa viagem, provavelmente evitamos perrengues por conta disso. O transporte foi um deles.

Você pode comprar um Pasmo ou Suica card nas máquinas automáticas em qualquer estação de Metrô. Parecem as máquinas de banco 24h do Brasil, não tem fila e sempre tem opção de colocar o menu em inglês. O cartão custa 5 dólares e creio que a primeira recarga mínima é de 10 dólares.

Com ele você pode pagar ônibus, metrô, trens, comprar em vending machines de bebidas (espalhadas literalmente em todos os quarteirões da cidade), e até em lojas de conveniência e nos minimercados.

O transporte público é ótimo e com esse cartão você só encosta no sensor e ele já te libera. Em 11 dias de viagem e andando de um lado para o outro na cidade, gastei em média 15 dólares/dia. O valor varia de acordo com o trecho utilizado e é descontado na saída, razão pela qual você deve passar o cartão na máquina ao deixar a estação também.

Na hora que consultar o Uber, você vai desistir de usar: para se ter uma ideia, uma viagem de 5 km, custava 40 dólares. Sim, o dólar está muito valorizado, mas quase 200 reais em um trecho de 5 km vai fazer você aprender japonês para andar de taxi (bem mais em conta, mas com esse pequeno empecilho).

Preferimos conhecer bem Tokyo e não ir para o interior dessa vez, mas fica a dica: para viajar de trem pelo Japão tem uma opção ótima que é comprar o JR Pass, um “passe livre”. Com ele você paga um valor por um determinado período e as viagens pelo país inteiro são ilimitadas. É específico para turistas, residentes não podem comprar.

De todas as opções de transporte, a mais bacana mesmo foi a bike: a cidade é plana, custa 1 dólar para cada meia hora e são todas elétricas. Uma delícia!

Como não passar perrengues em Tóquio - por helena de castro

Um plus para se locomover pela cidade: vale muito a pena pegar o Tokyo Cruise (foto acima), barco que os japoneses usam como meio de transporte. Quando fui, não tinha nenhum turista lá. É muito lindo, brinco que poderia ser do Batman. Sugiro ir de Toyosu para Asakusa ou de Asakusa para Odaiba. Custa 12 dólares.

3) Veja os pratos antes de comer

Se você não gosta de experimentar novos sabores, vai sofrer um pouco no Japão – ou ficar como a minha mãe, que não gosta da culinária japonesa e passou a viagem toda comendo pizza e macarrão. Gastronomia é uma experiência, e ir para lá e não comer o Lámen é um desperdício.

Como não passar perrengues em Tóquio - por helena de castro
O da esquerda é o mockup

A maioria dos restaurantes, para não dizer todos, têm um mockup dos pratos na entrada. Isso é muito bom para você ter uma noção de como ele é e do que vem na refeição – e é uma loucura como são idênticos aos pratos verdadeiros.

4) Cuidado com os gestos

Não se assuste se você responder alguém com sinal de “joinha” e a outra pessoa não entender nada. Descobri lá que os gestos não são universais – o nosso sinal de joinha significa o número 1 em japonês. Para falar “ok”, junte o polegar com o dedão. Ah, em geral os japoneses evitam interações humanas. No restaurante você pode mostrar o que quer para o garçom, ele já traz o pedido com a conta e você paga no caixa.

5) Atenção redobrada no supermercado

A gente sente muita falta de globalização nos supermercados japoneses. Se você quiser ou precisar comprar algo, olhe os produtos com muito cuidado. Quase não tem marcas conhecidas nossas e as embalagens são muito diferentes. Uma pasta de dente pode facilmente ser confundida com creme de barbear, por exemplo. O mesmo vale para essa garrafa que estou segurando na foto: poderia ser água mineral, sanitária ou sakê. Se você não tem o contexto, não sabe o que é.

Como não passar perrengues em Tóquio - por helena de castro

6) Shhhhh

As pessoas são MUITO silenciosas. Se no metrô lotado você deixar cair uma chave, é capaz de todo mundo tomar um susto. Parece que até quando estão juntas as pessoas não falam muito e nem fazem barulho.

7) Lá do alto

Tem museu para tudo quanto é gosto na cidade. Juro, tem até Museu do Cocô (eca). Visitei 3, mas o Mori Art Museum me ganhou não só pela exposição incrível da Shiota Chiharu, mas também porque fica no 52º andar e tem vista 360° da cidade comprando o ticket combinado com Tokyo City View. É de perder o fôlego! Por mais 5 dólares você ainda pode subir no heliponto.

Como não passar perrengues em Tóquio - por helena de castro


Top 3 de bairros para frequentar:

_Ginza

Achei o mais chique. É onde fica o famoso prédio da Nissan, o Nissan Crossing. Andando por lá, encontramos por acaso a Tsutaya Books (foto abaixo), na minha opinião a livraria mais linda do mundo. Tem que visitar.

Como não passar perrengues em Tóquio - por helena de castro

_Omotesando

É uma avenida muito bonita, com pista dupla, arborizada. É tipo uma Champs Élysées de Paris, mas com uma boa diferença: não é um programa turistão (pelo menos em Setembro estava bem tranquila).

_Shijuku

Como não passar perrengues em Tóquio - por helena de castro

Cada rua que você vira, é como se estivesse entrando na Times Square. Agora imagina isso a cada quadra. É impressionante o quanto as ruas de lá são iluminadas por painéis eletrônicos. Outra coisa que chama atenção nesse bairro é que o clima é diferente, é mais descolado. Lá eu vi casais de mãos dadas – o que não é comum entre os japoneses – e pessoas fumando nas ruas, por exemplo.

Um lugar que eu amei muito foi o 2D Cafe (abaixo), um café todo em preto e branco. É genial, dá até um bug na cabeça, parece que você está entrando em um desenho. Para quem curte fotos, esse é um lugar muito instagramável (não tem nada demais para comer, mas o lugar vale a visita. E as fotos).

Como não passar perrengues em Tóquio - por helena de castro

 


Como não passar perrengues em Tóquio - por helena de castro

*A paulistana Helena de Castro é fotógrafa especializada em gastronomia e lifestyle. Há 20 anos, clica pratos, restaurantes e a arquitetura dos melhores restaurantes e hotéis de São Paulo. Entre seus clientes, estão o Hotel Unique, a rede Wish e empresas como Unilever e Kopenhagen. Como ela mesma diz, já bateu as metas de ter um filho e uma casa de campo (no caso, em Campos do Jordão/SP). Agora, sempre que dá, aproveita para viajar sozinha ou em família – se for para Paris, então, melhor ainda.

Viajar bem, para mim, é viver a viagem de várias maneiras:

Seja espontâneo e diga SIM: Quando você diz sim, coisas maravilhosas acontecem e você pode descobrir lugares incríveis. Então ok, planeje-se: leve uma lista dos lugares que gostaria de visitar, mas não se atenha somente a ela. Mude de planos sem crise, você pode descobrir coisas melhores ainda.

Durma bem. Quando estamos descansados, temos muito mais prazer nos programas mais simples.

Não esperneie por mudanças que estão fora do seu controle: Vôo cancelado? Não era pra você ter ido naquele, só isso. Se você se estressar, é essa a lembrança que vai ficar da sua viagem.

Explore de verdade: passar um dia/noite em uma cidade e dizer que conhece não me parece lá muito honesto. Eu sempre digo “já estive em tal lugar” se foi só de passagem, “eu conheço tal lugar” se deu tempo de viver o lugar.

Misture os interesses: a pessoa mais letrada dificilmente assume, mas também curte um dia de compras. E as loucas por compras também gostam de desacelerar. Museu em um dia, passeio turístico em outro, parque num dia, shopping em outro…

Deixe um dia livre: não estranhe. Funciona tão, mas tão bem, que os meus amigos têm adotado: se estiver viajando em casal ou em família, deixe um dia livre na viagem para cada um fazer o que quiser. É libertador (e por vezes talvez vocês até acabem se encontrando rs).

 

(Fotos do post: Helena de Castro)


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