Como não ser trouxa no Marrocos

Texto: Manuela Rahal* // Fotos: Marcela Zanon

Desembarcar em um destino muito diferente do nosso em termos de cultura é um desafio e tanto. Em abril deste ano, estive no Marrocos, lugar que eu sonhava em conhecer. Foi a minha primeira experiência em um país africano e árabe, e bem que eu gostaria de ter escutado umas dicas reais de como proceder e sobreviver por lá.

Eu e a Marcela Zanon, minha amiga e sócia na Rahall, nos sentimos um pouco trouxas em vários momentos, o que não é um problema, pois faz parte da vida de quem realmente curte explorar lugares exóticos. Mas, uma vez trouxas, não queremos que os próximos sejam, então lá vão alguns tópicos importantes para quem pensa em fazer uma viagem parecida. Na sequência, dicas de lugares para visitar em Marrakech.

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O clima é tenso, sempre, e acho que isso vale um pouco mais para mulheres. Os marroquinos gritam, te abordam insistentemente, mas no final só querem descolar qualquer trocado, seja te fazendo entrar num restaurante ou tentando te mostrar algum caminho (alerta roubada). De repente você percebe que não é perigoso de fato, que nada de grave vai acontecer, e nesse momento você entra no clima e relaxa. Ainda mais para nós, brasileiros, acostumados com bastante violência.

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Você provavelmente vai se perder, então antes de sair do seu Riad (casas tradicionais marroquinas) ou hotel, garanta um mapa físico. Também vale muito baixar o app de mapas deles (maps.me), não é 100%, mas ajuda. Em último caso, se precisar pegar alguma informação ou tirar uma dúvida com alguém na rua, entre num restaurante ou fale com um policial. Por quê? Grandes chances de os demais te direcionarem para outro lugar.

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Para comprar coisas, é melhor andar com a moeda local deles, o Dirham, pois eles enlouquecem quando vêem uma nota de euro, e daí vão ficar ouriçados para fazer você gastá-la.

A conta é basicamente x 10. Exemplo: 10 euros = 100 DIRHAM.

Cartão vale a pena para outros momentos, como restaurantes, lojas e museus.

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Trânsito: eu nunca fui para Índia, mas acho que foi uma prévia do que esperar do trânsito por lá. Não existem regras, vale tudo mesmo.

Dentro da Medina, as ruas são super estreitas, não têm calçadas e as motos passam raspando em você. No começo dá um medinho, mas depois você entende que os caras são profissionais e, como aprendem a andar de moto ainda criança, é quase impossível ver um acidente.


Agora vamos a seleção de lugares que você não pode perder, começando pelo mais óbvio:

 

MUSEU YVÉS SAINT LAURENT + JARDIN MAJORELLE

Rue Yves St Laurent, Marrakech 40000, Marrocos

Como não ser trouxa no Marrocos

Para um museu focado em moda, ele é simplesmente sensacional, tem muito conteúdo e emociona, e lá eu percebi que eu mal conhecia o Yves St Laurent. Eu nem sabia que ele tinha vivido em Marrakech e que o começo de sua carreira foi super inspirado no clima e materiais da região. Detalhe: o Jardin Majorelle é apenas a casa onde ele morou décadas atrás.

O jardim fica na mesma rua do museu e aqui vai uma dica de ouro: a fila para comprar ingresso no jardim é gigante e quase ninguém sabe que na bilheteria do museu vende ingresso para ambos. Então você compra, entra no museu, passa no café (que é maravilhoso), sai e caminha até o jardim.

 

MUSEU DE MARRAKECH

Place Ben Youssef, Marrakech-Médina

Como não ser trouxa no Marrocos

Se você curte e está interessado em ver as construções, pirar nos azulejos e texturas, vale a pena ir. Os museus e palácios são vazios, não existem móveis, então a experiência se limita em ver o interior deles e todo aquele trabalho rebuscado em madeira, pisos e paredes.

 

CAFE DES EPICES

75 Derb Rahba Lakdima, Marrakesh Medina

Como não ser trouxa no Marrocos

Perto da grande praça central (Jemaa El FNA é uma loucura, tudo acontecendo ao mesmo tempo), existe uma praça menor toda focada em especiarias. Vale super a pena ir pra comprar perfumes em barras, temperos e coisas exóticas, como o eucalipto puro que trouxe para fazer inalação. Tipo Essentials real.

 

BIGUA CAFE E RESTAURANT

N°74, Rue Sidi Ishaq, Azbezt، Marrakesh

Como não ser trouxa no Marrocos

Sinceramente eu não gostei muito da comida marroquina, não sei se criei uma expectativa pensando que era um país árabe, mas achei tudo muito sem graça. Eles basicamente têm dois pratos, que são o Cuzcuz marroquino e o Tagine (um ensopado que pode ser só vegetais, carne ou frango).

Entre os milhares de pequenos e grandes restaurantes, esse foi o que mais gostei. De resto, acabamos comendo pizza e massa mesmo.

 

PALAIS DE LA BAHIA + RESTAURANT EL BAHIA

Près du palais Bahia, N° 1 Rue Riad Zitoun el Jdid, Marrakech

Como não ser trouxa no Marrocos

Esse palácio fica dentro da Medina e é considerado o maior ponto turístico da região. Mesma pegada do museu Marrakech, só que numa proporção maior.

Saindo do palácio tem o restaurante que fica ao lado, com o mesmo nome, e um belo rooftop.

Como não ser trouxa no Marrocos

 

BCK ART RIAD

Der Hajra, Suika de Bab Doukala

Como não ser trouxa no Marrocos

Por todos os lados vão te oferecer Hamman + massagem. O Hamman é um tratamento feito dentro da sauna, onde uma pessoa fica te esfoliando, passando cremes e te dando banho, e depois rola uma massagem. É gostoso mas é bem esquisito ao mesmo tempo, pois rola um lance de submissão, já que a pessoa que faz tudo, inclusive lavar seu cabelo.

Se fosse hoje, faria só a massagem, pois me senti mal com a moça que mal olhava na minha cara, uma posição de submissão real. Fiquei bem reflexiva quanto a isso e não quero incentivar que outras pessoas façam.

Mas, se for fazer, super recomendo esse riad, que é uma experiência à parte.


Manuela Rahal dá dicas de Como não ser trouxa no Marrocos*Manuela Rahal é jornalista e relações públicas, à frente da empresa Rahall, que atende marcas como Nike, MECA, Selina, Pernod Ricard. Já escreveu para alguns veículos sobre economia e tecnologia e hoje tem como principal atividade o seu site rahall.co, onde, junto com colaboradores ao redor do mundo, escreve sobre os mais diversos temas, inclusive viagens. Com a flexibilidade de ter o próprio negócio, ela começou a viajar para os mais diversos destinos, com o objetivo de retratar a realidade, especialmente os momentos difíceis que acontecem durante viagens, mas que nunca estão no instagram.

Viajar bem para mim é não ter relógio, é pensar em sair de casa para o café da manhã e não saber quando e nem se vai voltar. Viajar bem é estar preparada para as mais diversas aventuras, com uma mala inteligente, que te deixe confortável do jantar de gala até o passeio de camelo. Viajar bem na minha opinião exige programação, é ir com tudo pago, sem pensar em se endividar e em parcelar o cartão na volta.


_VÁ ALÉM_

Melhor época para ir: É bom se basear pela questão climática. Costuma fazer muito calor no Marrocos, então dê preferência para os meses da primavera (entre março e maio), que é mais ameno, e outono (outubro e novembro), que é quando as temperaturas começam a baixar. O inverno também é tranquilo: a mínima fica em torno de 15 graus. De julho a agosto, auge do verão, os termômetros batem 40 graus e os dias são secos, o que pode ser um problema para quem passa mal.

Como chegar: A Air Maroc tem voos diretos do Brasil para Marrocos, com saídas de São Paulo (GRU) e Rio de Janeiro (GIG), para Casablanca e Marrakech. É possível também voar para a Europa com outras companhias aéreas e fazer conexão.

Como se locomover: Prepare-se para caminhar bastante pela medina. Esse é o melhor jeito de explorar as ruas estreitas de Marrakech. E já leve um dinheiro separado para as gorjetas, pois todo mundo que te der alguma direção na rua vai pedir um trocado. Há também ônibus, mas eles são tão antigos que você vai preferir pegar um taxi. Fique atento ao entrar no veículo se o taxímetro está ligado. Às vezes, sabe como é, os motoristas “esquecem” – aí tem que negociar o preço. Ah, e não deixe de alugar uma caleche (como são chamadas as carruagens), para curtir um passeio diferente.

O que não pode faltar na mala: “Sua própria garrafa de água (não plástica, please), pois o clima é realmente desértico, recomendo um chapéu/boné para andar no sol, o tênis mais confortável possível e o resto você pode comprar lá, na feirinha de essentials naturais ou até um belo cashmere original caso faça frio à noite.”

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