#FuiAlém: Conexão em Chicago – o que fazer em 14 horas na cidade

 

Por Julia Resende*

 

Sair ou não sair do aeroporto em voos com conexão? Essa pergunta nunca tinha me atormentado até alguns anos atrás.

 

O ano era 2017. Meu então namorado – hoje, marido – estava prestes a se formar num MBA em Londres e estávamos morando em São Paulo. Tínhamos acabado de nos mudar para morar juntos e, com as despesas de montar casa, não queríamos gastar muito em passagem para Londres. A solução foi comprar o pior voo trajeto possível, aproveitando o escândalo da United Airlines, com o preço mais acessível: São Paulo – Chicago – Londres, e uma escala de 14h em Chicago.

Geralmente não gosto de escalas nem muito curtas, nem muito longas. Mas em um cenário de CATORZE HORAS em uma cidade que eu não conhecia, não tive dúvidas de que a melhor opção seria sair do aeroporto.

 

Veja também: Sair ou não sair do aeroporto durante a conexão?

 

chicago

 

Para isso, pesquisei bastante antes sobre a cidade – conversando com amigos que já foram para lá e que conhecem bem, lendo a Time Out Chicago, e explorando no bom e velho Google Maps as opções de roteiro. Também calculei de forma bastante conservadora o tempo de deslocamento do aeroporto para o centro e vice-versa. Afinal, sou bem neurótica e gosto de chegar com bastante antecedência no aeroporto, em especial quando estou nos EUA (onde é sempre mais estressante a imigração).

No final das contas, o roteiro ficou assim:

 

Chegada no Chicago O’Hare International Airport

Depois de toda burocracia da imigração, com nossas malas de mão a postos, pegamos um trem para o centro da cidade de Chicago. No site do aeroporto, existem outras recomendações de transporte, mas achamos o trem/metrô a com a melhor relação custo-benefício.

Café da manhã/brunch

waffle conexão chicago

 

Caímos de paraquedas no Atwood Restaurant. Não tínhamos referência nenhuma dali, só fiquei fascinada mesmo pela decoração meio Art Deco do espaço. Felizmente a comida também era muito boa e tomamos um café da manhã caprichado, com direito a waffles, ovos, e frutas. Vale super a pena!

O Atwood também fica pertinho do famoso Chicago Theater, onde tentamos entrar, mas estava fechado.

 

Veja também: O que fazer em Washington além do óbvio

 

Millennium Park

cloud gate chicago

 

Acho que um lugar mais turístico de Chicago é o Millennium Park. E apesar de bastante cheio (era um dia de verão), a visita vale a pena. Além de um paisagismo lindo, tem a famosa obra Cloud Gate, do artista Anish Kapoor. É aquele feijão espelhado, cheio de gente. Achei super legal ver ao vivo!

Comprinhas

A primeira loja em que entramos foi um Walgreens. Lá, compramos água e uns snacks para a volta para o aeroporto, além de várias miniaturas: pasta de dente, shampoo, hidratante corporal etc.

Embora antiecológico, era a única forma que conseguiríamos transportar na mala de mão. Depois ainda passamos na Ross, na Macy’s e na Urban Outfitters, todas muito perto do Millennium Park, na N State Street.

Chicago Art Institute

Para mim, o crème de la crème de conhecer Chicago foi ter ido ao Chicago Art Institute, o maior museu de arte moderna da cidade. Além de um ar condicionado maravilhoso em um verão de 31ºC e de uma lojinha cheia de coisas incríveis, o museu conta com um acervo com grandes obras de nomes como: Van Gogh, Hopper, Seurat, Chagall, Renoir, entre outros. Passamos boas horas por lá e recomendo para todos os loucos por arte como eu.

 

Nessas 14h de escala, aproveitamos cerca de 8h de passeio. Quando voltamos para o aeroporto, estávamos mortos, o que foi ótimo para encarar mais um voo longo, desta vez para Londres.

Ficamos com gostinho de quero mais e aprendemos que:

 

1. É sempre bom pesquisar a previsão do tempo do lugar da escala, pois pode ser diferente do seu destino final.

Em Londres, por exemplo, estava fresco (19ºC), enquanto que em Chicago estava bem quente (31ºC). Minha sugestão é levar uma regata ou algo do tipo para trocar no aeroporto e não passar perrengue;

 

2. Vá com um tênis confortável!

Ainda mais agora que existem vários modelos lindos e bastante funcionais para bater perna;
Veja se consegue deixar sua mala em algum lugar para você curtir mais sossegado. Se você for como eu, que adora museu, os guarda-volumes são uma ótima opção;

 

3. Leve itens de higiene na mala de mão

Água termal, lencinho umedecido (daqueles de bebê), meias limpas de roupas íntimas são ótimos aliados para se ter na mala de mão para tomar um banho de gato no banheiro do aeroporto antes de pegar o próximo voo.

 

Apesar de cansativo, recomendo a experiência. Não só porque conhecer um lugar novo é sempre bom, mas também pela sensação de viagem 2 em 1. 


Sobre a viajante:

julia rezende

 

Julia Resende. Sou carioca, bacharel em Desenho Industrial pela PUC-Rio e pós graduada em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas. Trabalho com estratégia de marcas há mais de dez anos, sempre buscando combinar arte com ciência, aliando criação estratégica com o pensamento de negócios.

Moro em São Paulo há 6 anos e, antes da quarentena, quando não estava trabalhando, estava no parque correndo, ou em algum museu/exposição, ou em algum show, ou comendo em algum lugar gostoso (pois isso não falta em SP). Agora eu me tornei uma quarantine baker.

Viajar para mim é renovação. É explorar novos cenários, novos costumes, e uma nova Julia.


 

Foto do abre: Liz Lawrence

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