Ela fez um mochilão na Ásia no início da pandemia

 

Em fevereiro desse ano, a publicitária e RP carioca Joanna Saldanha embarcou para um mochilão sozinha pela Ásia. Na época, ela até compartilhou com a gente 7 dicas para quem também pensa em fazer o mesmo. O que (quase) ninguém sabia até então é que a pandemia do coronavírus logo chacoalharia o mundo inteiro.

Nesse novo relato, ela conta para o guia além os bastidores da viagem e a expectativa e agonia de quem estava muito perto do epicentro do vírus e quase teve de cancelar tudo:

 

Minha história com o Coronavírus começou em agosto de 2019, muito antes do primeiro caso confirmado na China. Finalmente tinha comprado minha passagem para passar o mês de fevereiro de 2020 no Sudeste Asiático e realizar um sonho antigo.

Me organizei para conseguir ter esse tempo livre, afinal, ir para Ásia tem que ter uma certa disponibilidade, pelo tempo que se leva para chegar lá, além do fuso horário e de ser a época perfeita para conhecer a região. Virei rata de site de passagens para conseguir um preço decente para ir pra lá. Até que um dia recebi um alerta de promoção da Air China e nem pensei muito. Comprei uma passagem promocional, com escala em Pequim.

A Ásia sempre permeou meu imaginário de viajante. Nunca tinha viajado sozinha por tanto tempo para um lugar com culturas tão diferentes. Tinha muito tempo para pesquisar meu roteiro com todo cuidado e carinho possível. Definir as cidades, escalas, hotéis e albergues foi uma grande diversão para mim. Antecipar esse planejamento foi tão bom quanto a viagem em si. Mergulhei em blogs de viagens, filmes e documentários. Em dezembro estava com tudo definido e reservado. Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã, aí vou eu!


Veja também: Viajar sozinha para a Ásia: as 7 dicas de Joanna Saldanha


Viramos o ano de 2020. Comecei com o pé direito. Estava com trabalho durante boa parte de janeiro e, em fevereiro, me jogaria na viagem da minha vida. Só não tinha visto que no dia 29 de dezembro de 2019 o primeiro caso de Coronavírus foi confirmado em Hubei.

 

Ayutthatya_viagem_asia

 

O temido vírus foi se espalhando rapidamente pela China e ninguém sabia como aquilo ia se desenrolar. Estava relativamente tranquila: minhas longas escalas em Pequim seriam restritas à sala vip mesmo, não ia sair do aeroporto. O vírus não estava tão forte em Pequim e, na época, era mais letal para os mais idosos. Ao mesmo tempo, sentia aquele balde de água fria vindo aos pouquinhos. As pessoas a minha volta já estavam perguntando “mas você vai mesmo?”, “tem certeza?”. Por mais empolgada que eu estivesse isso já minava um pouquinho a minha animação.

Não estava nervosa e seguia confiante no meu planejamento. Até que, faltando uma semana para a viagem, meu pai olhou para mim e disse: “Joanna, acho que precisamos de um plano b”. Para mim aquilo foi o alerta vermelho nível máximo, porque ele é um poço de tranquilidade em momentos de crise – trabalha com isso e com planos de contingência. Sabia que o maior motivo de eu estar confiante era porque ele me passava isso. A partir de agora, só conseguia pensar “já era”.

Aquela viagem, que nem tinha começado, mas que eu tinha investido tanto tempo e dinheiro, estava perigando. Olhando o cenário do momento, era final de janeiro, o Coronavírus estava muito forte na China e já tinha chegado com pouca força em alguns países da Ásia, inclusive a Tailândia. A preocupação mesmo era com a minha volta, no início de março, quando não tinha como prever como estariam as coisas. Além de Pequim, também faria escala em Madri e, como a China já estava se fechando, o medo era que mais para frente países europeus barrassem passageiros vindos de lá.


Veja também: Como funciona o seguro viagem? O que cobre? É obrigatório?


O primeiro pensamento foi mudar somente a minha volta. Liguei para agência e eles acharam um pouco estranho eu querer fazer isso, até porque comprar uma perna para viajar custa quase a mesma coisa que ida e volta. Conexão na Etiópia, Dubai, Doha, Abu Dhabi…. o importante era fugir da China. E os números do Coronavírus aumentando sem parar. A AirChina alterou a política de reembolso e ia devolver 100% do dinheiro de todo mundo.

 

Bangkok_11_asia

 

Com esse cenário, mudamos os planos: tentar uma nova passagem tanto de ida, quanto de volta. Pode parcelar? Quantas vezes? Tem desconto à vista? Ainda bem que tive uma agência super parceira, a Propósito Turismo, nessa missão para me ajudar. No dia 30 de janeiro, eu comprei uma nova passagem para embarcar no dia 02 de fevereiro, com escala em Madri e Abu Dhabi. Nunca tinha viajado com tanta emoção, e a viagem nem tinha começado ainda.

Fui. A viagem correspondeu a todas as minhas expectativas (veja o top 5 ao final do texto). O Coronavírus não atrapalhou em nada no meu roteiro. Pelo contrário, o Sudeste Asiático geralmente é tomado por turistas chineses e, com o fechamento da China, os lugares estavam muito mais vazios. O que era ótimo para mim, mas péssimo para a economia local. O turismo já estava sentindo o impacto da, até então, epidemia.

 

asia

 

Tomei alguns cuidados extras, levei mais álcool gel, máscaras e remédios, e acompanhava todas as notícias para saber como o Corona estava se desenvolvendo. Os aeroportos estavam com algumas medidas mais rigorosas, tirando temperatura e perguntando se você tinha alguma passagem pela China (ainda bem que mudei a minha ida). No final de fevereiro, ou seja, quando a minha viagem estava terminando, o Coronavírus estava ultrapassando fronteiras asiáticas e chegando à Europa, principalmente na Itália.

A volta

Já no caminho de volta, ia passar 16 horas em Madri, mas, na época, tinham menos de 200 casos confirmados na cidade. Como era uma conexão de muito tempo, nem fazia sentido ficar no aeroporto. Fui para casa de duas amigas, andei de metrô, fiz um verdadeiro tour expresso por Madri. Não vi nenhuma preocupação em relação ao vírus. Enquanto na Ásia as pessoas usavam máscara o tempo todo, na Espanha quem estava era exceção.

Cheguei ao Brasil, sem sintomas, bem, viva e feliz por ter feito a viagem da minha vida. E assim sigo até agora, maio de 2020. Um pequeno detalhe: em um intervalo de cinco dias passei por sete aeroportos diferentes e muito movimentados, todos verdadeiros antros de possíveis contaminados assintomáticos. Menos de uma semana depois da minha volta, o Coronavírus explodiu na Europa.

 

Luang-Prabang_3_asia

 

Madri já era um dos focos, multiplicando os casos (hoje são mais de 200 mil) e o Trump fechou a fronteira dos Estados Unidos com a Europa. Como o vírus pode demorar até 14 dias para se manifestar, provavelmente aquele meu único dia em Madri foi onde eu mais corri risco. É até irônico pensar que uma das razões que eu troquei a passagem foi o medo de Madri poder barrar a entrada de alguns voos.

Cheguei direto para a quarentena. De muitas andanças e do famoso caos das grandes cidades da Ásia, fiquei presa na minha casa. Meu conta passos, que chegou a marcar 25 mil durante a viagem, não passa dos três mil passos agora. Foi um choque chegar cheia de esperança, de vontade e de energia, e encontrar esse cenário.”

TOP 5 Sudeste Asiático da Joanna:

1) Halong Bay, Vietnã

O cruzeiro de Halong Bay pode ser uma verdadeira cilada pega turista. Então foi uma felicidade imensa, e um alívio, ver que eu escolhi a empresa certa para o passeio. Mesmo com névoa, o lugar não decepciona e foi um dos pontos altos da minhas viagem.

2) Luang Prabang, Laos

É até difícil citar uma atração ou ponto específico dessa cidade do Laos. Mas o clima de cidade pequena (é pequeno mesmo, parece uma vila e você encontra com as mesmas pessoas o tempo todo), com mercado de manhã, mercado de noite e cachoeiras deixa tudo maravilhoso.

3) Elephant Nature Park, Tailândia

O santuário de elefantes em Chiang Mai foi um momento super especial para mim. Não esperava me emocionar tanto com os animais, mas foi uma experiência única. Só para esclarecer, o Elephant Nature Park abriga 72 elefantes que se recuperam de maus tratos. O contato com eles é mínimo, mas mesmo assim vale muito!

4) Ninh Binh, Vietnã

A cidade foi a antiga capital do Vietnã e fica a 1h30 de Hanói, atual capital do país. Fiz só um bate e volta, mas ficaria tranquilamente mais uns dias por lá. A cidade tem paisagens incríveis!

5) Amanhecer em Angkor Wat, Camboja

Fui para Siem Reap “apenas” para ir ao complexo de Angkor Wat. E valeu cada centavo. A cidade não tem muita coisa interessante, mas Angkor Wat é incrível. Ir ao amanhecer é um programa bem turistão perengue, mas quando você está lá, entende porque tanta gente acorda 4 da manhã para aquele momento.

 


> Cabine, Check-in M e Check-in G: conheça nossa linha de malas cheias de funcionalidades!

 

malas Além

Tagged , , ,