#FuiAlém: É possível curtir o Havaí mesmo sem surfar

Por Bruna Próspero*

“Tá vendo esse pontinho aqui no meio do nada?”, Jerry Lee nos questionava apontando para o meio do oceano pacífico em um enorme mapa-mundi. “Pois bem. Nós estamos aqui.”

Jerry é japonês e, como muitos conterrâneos, foi morar em terras havaianas ainda bem jovem. Ele era o coordenador dos alunos da Global Village, escola onde estudei inglês no Havaí, e dava mais dicas de cervejas e passeios do que qualquer outra coisa.

Acho que ele sempre faz questão de sinalizar a exata localização dos alunos recém-chegados ao “Aloha State” pois a maioria desembarca por lá ainda sem se dar conta de que o arquipélago fica bem no meio do nada. Sabe como é, né? Um pessoal easy-going

É assim que somos recebidos no aeroporto

Jerry tratou logo de avisar também sobre os possíveis terremotos, roubos de bicicleta e orientou para que comprássemos cadeados, o que ninguém esperava. Ser roubado no Havaí? Que roubada!

Minha primeira compra em terras havaianas, aliás, foi uma bicicleta daquelas que não possuem freios na mão e sim a pedalada para trás. E é claro que, por conta disso, já levei um tombo logo no segundo dia. Demorei uma semana para me acostumar com o frenesi de Honolulu. Mas, vale a pena se locomover de bike por lá, mesmo que a região não tenha grandes estruturas para isso.

Nunca imaginei também que em Waikiki não teria uma ciclovia, então me jogava no trânsito atrás dos meus amigos suíços (bem mais acostumados com as bikes do que eu) e corria para a calçada sempre que dava, mesmo com medo da polícia me multar. Imagina ser multada de bike no Havaí?

Em Waikiki a orla é cheia de resorts cinco estrelas. Para quem gosta de fazer compras, a Kalakaua Avenue é a melhor pedida: é repleta de shoppings e lojas como Gucci, Tiffany e, claro Quicksilver, Billabong, Rip Curl e Roxy, que por lá se igualam a magnitude da Louis Vitton, por exemplo. Mas, não se engane, apesar de Waikiki ser cheia de concreto e até urbanizada, tudo lá respira natureza. De qualquer um desses pontos é possível enxergar uma montanha, um vulcão ou um pedacinho do céu tingido pelo pôr do sol.

Selvagem

Se você ainda precisar de mais natureza, vá para North Shore e torça para encontrar o surfista 11 vezes campeão mundial Kelly Slater ou o cantor Jack Johnson. Eles vivem por lá. Vá para a costa leste também e se encante com a cor do mar de Kailua e Lanikai.

Dê uma dispensada nos mapas e, ao se perder, você poderá encontrar uma fazenda de abacaxis, casinhas de madeira e comida havaiana de verdade, como o Kalua, que é um prato feito com porco assado em carvão sob a terra – normalmente é servido durante um luau.

A ilha de Oahu por si só já é linda e cheia de aventuras para explorar, mas lembre-se que o arquipélago é formado por 7 ilhas: Oahu, Big Island, Maui, Kauai e Molokai, Lanai e Niihau. Essa última não pode ser acessada, mas se você tiver tempo visite pelo menos alguma outra. As sensações e paisagens são completamente diferentes.

Visual de Hanauma Bay, Ilha de Oahu

O que eu posso te dizer é que você deveria se deixar levar pela estrada de Hana em Maui e dar de cara com a Red Sand Beach, uma praia que deveria estar em todas as listas intituladas como “as praias mais lindas do mundo.”

Em Maui também vale a pena nadar com tubarões e ver o sol se pôr do topo do vulcão Haleakala.

Em Big Island, a maior ilha do Havaí, eu te aconselharia a chegar pelo aeroporto de Kona (você pode desembarcar por lá, que é ao lado do vulcão e que por isso apresenta paisagens formadas por ele, ou por Hilo, que é uma parte mais tropical). Chegar em Kona é uma sensação inexplicável e com uma energia que vem do centro da terra. Só indo para entender.

Kona

Ah, quer outra dica? Experimente ir para lá com poucos planos. Ir sem a programação fechada foi o que me proporcionou experiências inimagináveis e inesquecíveis. Frio na barriga? A cada segundo, claro. Ter de dormir na rede de um hostel que estava com as camas esgotadas não é nada mal para quem gosta de ver as estrelas. E isso são coisas que você só consegue sendo, digamos assim, não planejado (para não dizer desorganizado).

A única coisa que você realmente deveria ter de se preocupar em Big Island é em estar com roupas para todos os climas. Em um único dia você pode ter a sensação de frio polar ao subir o Mauna Kea (maior montanha do mundo contando à partir da sua base submersa); sentir o calor do centro da terra ao visitar o vulcão ativo Kilauea; e depois curtir uma praia com clima tropical.

 

Mas a maior dica para quem vai ao Havaí é: viva realmente o lugar. E, para isso, separei algumas coisas importantes:

1.

Como repeti muitas vezes durante esse texto, não faça roteiros muito redondos antes de partir para essas ilhas;

2.

Não deixe de utilizar os ônibus que, aliás, sempre estarão atrasados – mas os motoristas são simpáticos e vão te receber com um “Aloha, welcome aboard”. Você logo vai entender o “I’m not late, I’m on Hawaiian time”;

3.

Não esqueça de provar um Mai Tai (bebida típica de lá) e uma cerveja e um café feitos em Kona. Não perca a oportunidade de conhecer um autêntico havaiano e conversar com ele;

4.

Não os agradeça com “thanks”, e sim com “mahalo”;

5.

Fique atento para ver alguns arco-íris diariamente;

6.

Não ligue para as baratas que aparecem todas as noites e saiba que, pelo menos por lá, não existem cobras;

7.

Vá em alguma balada local  e curta um reggae havaiano. Aliás, conheça as bandas de lá. Mas curta também uma segunda-feira no turístico Lulu’s com drinks a um dólar;

8.

Não fique preso às praias mais conhecidas e citadas nos blogs de viagens. Pergunte sobre os “Secret Points” e surpreenda-se;

9.

Não se esqueça das cachoeiras e vulcões;

10.

Reserve alguns dias para ver o sol nascer e veja o sol se pôr T-O-D-O-S os dias. Acredite, nunca é a mesma cena, sempre tem um colorido diferente;

11.

E o mais importante: Não deixe de jogar um colar de flores (chamado lei) para a estátua do Duke na Praia de Waikiki. Diz a lenda que todos que jogam um colar para ele voltam para lá. Por via das dúvidas, é bom jogar logo uns cinco.

 


*Bruna Próspero é uma agente da regeneração e co-idealizadora do Yamandu.Eco, um movimento que faz parte da transição e despertar da consciência para um Novo Mundo.

Foi viajando para lugares remotos que descobriu sua paixão por ouvir histórias e por se conectar a vulcões, mares, montanhas e cachoeiras. Em um dessas viagens, decidiu que trabalharia em prol da natureza e está sempre em busca de soluções que vão além da sustentabilidade superficial.

Escreve sobre os aprendizados da natureza no blog yamandu.eco.

Viajar bem pra mim é me deixar levar. É estar conectada com o que está acontecendo no momento e confortável para viver tudo que cada lugar pode me oferecer.

 


_VÁ ALÉM_

Melhor época para ir: O clima é bom o ano todo. No verão, entre julho e setembro, as temperaturas são mais altas, mas nada demais (costumam ficar na faixa dos 30 graus). O inverno também é gostoso, a partir de 15 graus – tanto, que é quando acontece a final do campeonato mundial de surfe e a região fica lotada. As ondas, claro, são gigantes, mas ainda assim dá para curtir uma praia tranquila.

Como chegar: Não há voos diretos do Brasil para Honolulu, no Havaí. Você precisa fazer conexão em alguma grande cidade dos Estados Unidos. Prepare-se para uma viagem longa. Para se ter uma noção, de Los Angeles, na Califórnia, até Honolulu, são quase 6 horas de voo (e de São Paulo até LA são quase 13 horas).

Como se locomover: Quer ficar à vontade? Então alugue um carro assim que chegar no aeroporto de Honolulu. Há várias empresas que oferecem o serviço. A cidade também conta com um bom sistema de ônibus, e bicicletas também quebram um galho caso a distância seja curta. Para mudar de ilha, é preciso pegar um avião – são voos rápidos.

Quantos dias ficar em cada ilha: É bom fazer valer a distância até o Havaí. Se puder, para aproveitar tudo, fique de 3 a 5 dias em cada ilha.

O que não pode faltar na mala: Aposte em roupas leves e confortáveis e um ou outro casaco ou corta vento para quando der uma esfriada (e para subir Big Island). De resto, é o kit praia e pós-praia: biquíni, sunga, shorts, protetor solar, livro, chapéu, fones de ouvido, canga, chinelo, tênis para as trilhas, snorkel, e botinha para mergulho.

[Foto do abre: Samantha Sophia on Unsplash]

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