#FuiAlém: Aprendendo a fazer empanadas chilenas em Santiago

 

Em fevereiro deste ano, quando o Chile passava por manifestações intensas nas ruas, a jornalista paulistana Bruna Maniscalco foi para Santiago passar o carnaval. Além de explorar a cidade, uma das atrações que ela colocou no roteiro foi a aula de empanadas chilenas com uma moradora local. Ela encontrou a experiência no site do Airbnb, e a boa notícia é que, em tempos de pandemia, a aula está disponível virtualmente na plataforma. A seguir, Bruna conta como foi.

Por: Bruna Maniscalco*

 

Carnaval é tempo de…….? Viajar sozinha após o término de um relacionamento, pré-Coronavírus e no meio das manifestações do Chile, claro! Eu sei. Pode parecer que a viagem foi um desastre, mas, muito pelo contrário, uma experiência cheia de surpresas, autoconhecimento, emoções e comidas deliciosas…

Antes de ir, como boa planejadora, já vi trajetos, distâncias, transfers e passeios que queria fazer. Divididos por lado da cidade e cálculos de quilômetros caminhados, distribuí minhas andanças pelos quatro dias de feriado. Entre pontos turísticos, templos religiosos e partidas de tênis, as paradas para saborear as comidas típicas do Chile me norteavam entre linhas metrô, ônibus e Uber.

Falando em comida deliciosa, vim contar sobre a aventura em cozinhar empanadas de pino com a Valentina, minha, agora, amiga chilena. Entrei no Airbnb e descobri a aba de experiências. Procurei tudo que poderia fazer nos meus dias em Santiago: vinhos, passeios pelo centro. Esses eu já tinha programado e decidido como fazer e quando fazer, até que encontrei um anúncio: “Aprenda a cozinhar a verdadeira empanada de pino.”

Fã da cozinha e, mais ainda, de comer, me inscrevi e me preparei. Na segunda-feira, um dia antes da minha volta, peguei o metrô, desci na estação República e caminhei duas quadras chegando em uma rua com casinhas brancas.

– Adelante de tu casa! – enviei pelo chat do Airbnb, já que não encontrei a campainha.

Valentina abriu a porta com um grande sorriso e me recebeu na casa já preparada para nossa aula. Seria uma aula particular porque, especificamente naquele dia, só eu tinha me inscrito. O que não é nada estranho já que…quem iria decidir ir para o Chile em meio a manifestações?

 

santiago chile

 

Com ingredientes separados na cozinha e uma mesa preparada na sala, começamos o preparo do recheio.

O pino é uma combinação de carne moída, bastante cebola, uva passa e temperos, entre eles, o merkén, um condimento que conheci no Chile e soube que é uma mistura de especiarias mapuche, o povo indígena que habita o Chile e o sudoeste da Argentina. A massa da empanada não tem surpresas – com o truque de família que a Valentina me ensinou, chegar no ponto é bem simples. Difícil mesmo é aprender as diferentes formas de fechar! Mas ela me garantiu que com prática fica mais fácil.

 

aula de empanadas

 

Para acompanhar a empanada, preparamos o pebre. Muito parecido com nosso vinagrete, é o acompanhamento das empanadas e uma entrada bem comum nos bares e restaurantes de Santiago.

Entre o tempo de cozimento e forno, trocamos histórias sobre a vida, o exílio da família de Valentina na Venezuela durante a ditadura chilena e suas viagens que acrescentaram como curiosa e arquiteta.

O tempo voou, as empanadas ficaram lindas e ainda pude levar algumas para comer depois – que não foi muito depois, como você pode imaginar. Valentina ainda separou um pacotinho de merkén para eu trazer para casa, o qual uso de pouquinho a pouquinho para não perder o sabor do Chile nas minhas aventuras gastronômicas.

 

empanadas chilenas

 

[A aula virtual de empanadas chilenas com a Valentina está disponível no site do Airbnb – e, por coincidência, na foto de destaque da atração está a…Bruna!]

 

Veja também: Receitas de pratos de outros países para fazer em casa


Sobre a viajante:

bruna maniscalco

Bruna Maniscalco. No time de nascidos em 90 e pouco e quase-trinta, sou jornalista de formação, trabalho com entretenimento há mais de 7 anos e sou aquela pessoa que passa horas falando de dicas de filmes, séries, restaurantes e lugares para ir.

Amo conhecer os lugares caminhando, mas não perco uma estrada com boa música e quilômetros rodados. Adoro manhãs de domingo, ver a natureza e acordar cedo – principalmente nas férias para aproveitar cada segundo. Me encontro, me reencontro e me reconheço a cada dia – sempre com bom humor e leveza.

Viajar bem, para mim, é ir com segurança e planejamento o suficiente para ficar tranquila, mas com espontaneidade e coração aberto para vivenciar o que o lugar, as pessoas e as experiências têm para oferecer.

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