#FuiAlém: as dicas que Camila Moletta gostaria de ter recebido antes de ir para Cinque Terre

 

Textos e fotos: Camila Moletta*

 

Sempre tive uma relação especial com a Itália. A família do meu pai veio de uma pequena cidade em Vicenza chamada Mussolente e, antes de mesmo de me tornar cidadã italiana, já tinha aprendido a língua. Cada lugar é especial por um motivo diferente: Roma, cujo charme caótico me lembra o Rio, minha cidade natal; Toscana, onde vc pode flanar em qualquer cidade (mesmo quando chove sem parar, o que aconteceu comigo); Costa Amalfitana e sua paisagem cinematográfica (quase chorei quando cheguei em Positano); Lago Como com o contraste dos Alpes e suas cidades de boneca.

Mas o lugar que sempre quis visitar e ficava pra depois era Cinque Terre, especialmente depois das chuvas de 2011 que quase destruíram os vilarejos. Não peguei muitas dicas antes de viajar e acabei dando sorte em vários aspectos, mas essas são as dicas que eu gostaria de ter recebido. Spoiler alert: É UM PARAÍSO MESMO.

cinque terre na italia

 

01_Cinque Terre é patrimônio da Unesco e existe pelo menos desde o século 11, ou seja, não é de se estranhar que seja difícil chegar lá. Não existe trem direto para nenhuma das 5 cidades – Riomaggiore, Manarola, Vernazza, Corniglia e Monterosso al Mare – então você vai ter que trocar para os trens regionais de qualquer maneira, em Levante ou Sestre Levante. Sim, são duas cidades diferentes. Não, você não ouve o nome direito pelo auto falante do trem. Se tiver dúvida de onde vc está, pergunte para alguém, não tem problema.

02_A primeira dúvida que bate é onde se hospedar. Alguns sites diziam que era melhor ficar em La Spezia, pois é uma cidade maior, com mais recursos. Não faça isso e fique em um dos 5 vilarejos. Todos eles têm pelo menos um restaurante, um mercadinho e uma farmácia que ficam abertos até tarde e a sua experiência de ficar nesses mini paraísos vai ser outra. Monterosso é a maior das 5 e também a mais plana, e Corniglia é a mais íngreme e de mais difícil acesso.

 

03_Comida: como eu falei antes, cada vilarejo tem pelo menos um restaurante que fica aberto até tarde, mas é sempre bom pegar dicas pra não acabar nos ‘pega turistas’ das ruas principais. Dei muita sorte de encontrar o Fuori Rotta quando cheguei em Riomaggiore, que como o nome diz, é fora da rota. Os donos são um casal fofo que tem um labrador chamado Woodstock. Qualquer prato é maravilhoso. Outro delicioso e bem tradicional é o Cantina de Mananan em Corniglia.

04_Eu não gosto de dirigir em viagem, então foi fácil decidir fazer tudo de trem, mas no caso de Cinque Terre, realmente é melhor. Também é possível fazer alguns trajetos de barco, que recomendo muito. É quando você consegue ver as imagens de cartão postal, com os vilarejos à distância.

cinque terre na italia

 

05_Não tente fazer tudo em 2 dias. Apesar de serem somente 5 vilarejos, a beleza desta viagem está no dolce far niente. De preferência vá na primavera (no verão fica lotado e cheio de adolescentes), passe um dia inteiro em cada cidade – visite ainda Portovenere, que fica de fora das Cinque Terre mas é mais medieval e linda – coma com calma, beba com calma, fique horas olhando o espetáculo que é esse lugar e entenda como você é privilegiado por estar lá.

 


camila moletta

*Camila Moletta. Carioca, designer e sempre fascinada por detalhes e histórias. Em 2018 me descobri empreendedora e ativista, e me tornei cofundadora do More Grls, uma iniciativa que pretende mudar a cultura da criação de agências aumentando a visibilidade e representatividade de mulheres criativas. Hoje, o More Grls é mais do que uma plataforma de mapeamento de talentos criativos femininos, mas também a maior comunidade de mulheres criativas do Brasil, ajudando criativas a aumentarem sua autoestima e alcançarem cargos de liderança.

Desde cedo entendi que o desejo de viajar e morar em outros lugares era fundamental pro meu entendimento de mundo e pra construção do meu repertório. Até agora tive a sorte de morar em Dublin, Londres e São Paulo ao longo de 10 anos. Sempre que bate aquela coceirinha.. ta na hora de mudar de novo.

Viajar bem, para mim, é estar com pessoas queridas e que estejam na mesma ‘frequência’ que eu.


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