#FuiAlém: Lufe Gomes no Quirguistão

O fotógrafo Lufe Gomes, criador do canal Life by Lufe no Youtube, não pensa duas vezes na hora de falar sobre viagens. “Para mim, viajar é se permitir enxergar outras formas de ver o mundo”, diz.

Especializado em fotografar casas de pessoas criativas e entender como elas vivem, ele procura levar este olhar também mundo afora, mesmo que algumas vezes sem a câmera. “Estou cansado de ver pessoas viajando e tirando fotos só para mostrar para os outros que estiveram lá.”

Sua experiência mais recente foi no Quirguistão, pequeno país da Ásia Central que faz fronteira com Cazaquistão, Uzbequistão, Tajiquistão e com a China.

A seguir, ele conta como foi a viagem:

Lufe no Quirguistao

“Quando contei para as pessoas que iria para o Quirguistão, todo mundo me disse ‘nossa, você é louco’. Isso porque o nome do país termina em “ão” e muitos remetem às regiões de guerra. Mas lá é diferente. O povo é muito pacífico e carinhoso. Te chamam para tomar um chá e oferecem bandejas de três andares de doces típicos. Chegar lá é como chegar ao interior do interior do Brasil.

Eu e o Alexandre Disaro (@alexandredisaro) ficamos 20 dias no país. Procuro sempre passar várias semanas no local para conseguir entrar ao máximo na cultura. Nesses casos, é sempre importante ter um olhar de aprendizado, e não de comparação. É incrível chegar a um lugar quase que intocado, principalmente nos dias de hoje, em que o mundo está cada vez mais igual.

 

Senti que o povo do Quirguistão não abre mão de ser quem é, sabe? Fizeram parte da União Soviética até 1991 e a cultura continua muito preservada. Não espere se comunicar com o povo em inglês, pois praticamente ninguém fala. É importante, aliás, se preparar com antecedência e ir sabendo algumas palavras em quirguiz, que é o idioma oficial, ou russo. É isso ou mímica.

Lufe no Quirguistao

Com eles e entre eles

Voamos de Moscou até a capital, Bishkek, e de lá contratamos um motorista para nos levar para as regiões montanhosas, que são incríveis. Foi uma road trip de 16 dias por várias cidades. Lá, a única opção de hospedagem além de acampamento são os yurts, tendas tradicionalmente utilizada por nômades. Ou seja: os viajantes se hospedam em casas de famílias. Eles são incentivados a receber turistas e, inclusive, fazem isso muito bem.

Existe um órgão nacional do turismo chamado CBT que é onde todos os turistas devem procurar onde se hospedar em cada cidade. É um dos mais organizados sistemas de hospedagens que já vi no mundo. E por falar nisso, a internet de lá é uma das melhores que já vi também, com 4G até nas montanhas.

Lufe no Quirguistao

Além das paisagens e da natureza intocada, o melhor do Quirguistão é isso: casas e pessoas.

Vi muitas cores lá. Dentro das casas há tapetes nas paredes e misturas de estampas na decoração e nas roupas que usam. É um povo animado – sempre organizam vários festivais gastronômicos e de danças.

Eles são muito conectados com a terra. Vivem da criação de animais como cavalos, bois, ovelhas, iaques e caçam com águias treinadas.

Lufe no Quirguistao

 

As paisagens do país são alucinantes. Montanhas nevadas, milhares de cavalos correndo livres, lagos e rios cristalinos. Foi uma viagem de conexão com a natureza e com um povo extremamente carinhoso.

Lufe no Quirguistão

Essa foto acima significa muito pra mim, pois fiquei cerca de 3h sozinho nesse lugar no alto das montanhas. Imagine o silêncio. Foi um dos momentos mais gloriosos da viagem, como se o universo quisesse me presentear no último dia aqui com um momento de reflexão me mostrando o quanto somos muito mais quando somos um.

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Me acho engraçado viajando, sabia? ⠀ Por quê eu não simplesmente aproveito a vista? Tiro fotos posando? Como e bebo e vou curtir o local? ⠀ Não… meu jeito de viajar é uma verdadeira viagem na viagem. ⠀ Eu sei lá o que acontece cada vez que me jogo nessas jornadas longas em povos distantes e tão diferentes de nós. ⠀ Eu me pego sempre em silêncio, refletindo, meditando, me jogando nas minhas próprias espirais de transformação pessoal. ⠀ Acho que pra mim, viajar se tornou celebrar momentos de encontros comigo mesmo. ⠀ Aliás, quanto mais pessoas diferentes de mim eu encontro, mais eu me enxergo nelas. Entende? ⠀ Cada vez que encontro alguém totalmente diferente de mim, nasce um encontro com uma parte minha que talvez eu não conhecia e percebo rapidinho que nem somos diferentes nada. Somos sim partes separadas nos reencontrando entre si ao nos enxergarmos no outro. Faz sentido? ⠀ Pois foi isso que estava pensando enquanto eu caminhava nessa estradinha no alto das montanhas aqui do Quirguistão, agradecendo a oportunidade de ter a mente sempre aberta para deixar o novo e diferente de mim se revelar e então fazer parte desse novo ser que sempre me torno depois de uma viagem ou de um simples encontro no nosso dia a dia. ⠀ Mais que beleza natural nessa foto, eu vejo a maravilha de estar presente, de sentir-me em comunhão com meu próprio ser e de permitir a mim mesmo conhecer e estar em harmonia com pessoas e lugares tão diferentes e fascinantes que existem nesse mundo. ⠀ Essa é a melhor lembrança que podemos ter de viagens e talvez o que tenho de melhor para compartilhar, pois podemos praticar esse aprendizado nesse exato momento da sua vida, seja lá onde você estiver ou em qual pessoa diferente de você esteja na sua mente. ⠀ Foto @viveraviagem Quirguistão

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Sobre o viajante:

Lufe Gomes. Sou fotógrafo especializado em clicar casas de pessoas criativas pelo mundo afora. Viajo pelo mundo para conhecer outras formas de morar. Todo vez que entro em uma nova casa, a primeira pergunta que faço é “Onde você está por todos os lados?“. Na realidade, sempre digo que estou fotografando a própria pessoa através do ambiente em que ela vive, pois a casa é a exteriorização do próprio ser que a habita. Você me encontra no Youtube, no Instagram e em meu site.

“Viajar bem, para mim, é se permitir enxergar outras formas de ver o mundo.”

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