Ilhabela muito além dos borrachudos

 

O que você levaria para passar alguns dias em uma ilha? Se o destino for Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, esqueça a ideia de se isolar em um lugar paradisíaco. Os itens indispensáveis são energia para badalar, vontade de comer bem e, claro, muita disposição para curtir as praias e cachoeiras da região.

Localizada a 210 quilômetros da capital paulista, uma travessia de balsa de 15 minutos separa a ilha do município de São Sebastião. Rodeada por costões e muito verde, não é só pela beleza que a ilha atrai cada vez mais visitantes: gastronomia e as condições perfeitas para a prática de esportes náuticos também são motivos para passar uns dias na região. Conhecida como a Capital da Vela, Ilhabela é parada obrigatória para quem gosta de velejar, com ventos acima de 10 nós na maior parte do ano.

 

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Lado a lado

A ilha é popularmente dividida entre os lados sul e norte, que possuem algumas características diferentes. A boa notícia é que o mar é cristalino praticamente de ponta a ponta. No primeiro, estão as praias mais badaladas e movimentadas, como a do Curral, que conta com várias opções de quiosques e costuma lotar de gente curtindo o mar e tomando sol. Já para quem gosta de mergulhar, a melhor opção é a praia da Ilha das Cabras, que é protegida por um Santuário Ecológico e, por isso, repleta de vida marinha.

A estrada que leva ao extremo sul da ilha também passa pelas praias do Julião e Feiticeira, esta última ótima para os fãs de sossego. De onde está a balsa, no centro, até o final do asfalto, são pouco mais de 17 quilômetros. Faça chuva ou faça sol, é comum encontrar ciclistas mais experientes desbravando de bike o trajeto íngreme e cheio de curvas da região. Os mais aventureiros podem continuar sem carro pelo caminho de terra por mais 12 quilômetros. A caminhada, que dura cerca de 3 horas, leva à Praia do Bonete, onde só se chega por esta trilha ou de barco.

Ao norte de Ilhabela estão as praias mais frequentadas por quem gosta de esportes de vento. Mas é mais acima, na pequena praia da Armação, o ponto de encontro dos velejadores, frequentado inclusive por atletas como o bicampeão olímpico Robert Scheidt.

Até quem não é adepto do esporte, mas quer sentir o gostinho, consegue viver a experiência. Há empresas que oferecem passeios de veleiro a praias mais desertas, que ficam ao leste da ilha, onde só se chega de barco. Vale a pena conhecer a praia do Poço, onde há uma cachoeira que deságua no mar e, antes, forma uma pequena piscina natural quase transparente. Fica a dica: os borrachudos, mosquitos que são comuns em toda a ilha, fazem a festa, então não se esqueça do repelente. O Cintronilha, produzido na ilha, é uma alternativa mais natural e facilmente encontrado nos comércios da cidade.


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Água que cai

Há quem diga que Ilhabela possui uma cachoeira diferente para cada dia do ano. De fato, há muitas nascentes de água na região, mas, catalogadas, são cerca de 30. Uma das mais famosas é a Cachoeira do Gato, que tem 80 metros de queda e é acessada por uma trilha à pé de pouco mais de 2 quilômetros a partir da Praia de Castelhanos, a maior da ilha, localizada a leste. O programa é ideal para quem curte natureza – não se esqueça de vir de tênis e trazer repelente.

 

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Para chegar até Castelhanos, há duas opções: de barco ou jeep, em um trajeto de 22 quilômetros pela mata. Só são permitidos carros 4×4, então se você não tiver um deve contratar uma agência de turismo (o passeio custa cerca de R$ 100 por pessoa). São cerca de 1h30 para ir e o mesmo para voltar – evite fazer a viagem de barriga cheia, já que o veículo mexe bastante. O esforço, garanto, vai valer a pena ao desembarcar e olhar o mar cristalino.

 

ilhabela sao paulo

 

A praia é também uma das mais procuradas por surfistas. Quando bate vento leste, as ondas chegam a dois metros. Para passar a noite, nada de hotéis, apenas campings. Energia elétrica, só por gerador. É a chance também de interagir com comunidades caiçaras mais simples, os únicos moradores da praia.


_VÁ ALÉM_

Melhor época para ir: Em geral, Ilhabela vale a visita o ano inteiro. As temperaturas costumam variar entre 18 e 31 graus. Os meses mais movimentados, claro, são os do verão: dezembro a fevereiro. Em julho, por conta do inverno, não é tão lotada, mas há turistas. Março a novembro são os meses mais tranquilos.

Como chegar:

De carro: pela Via Dutra, Rodovia Ayrton Senna (antiga Rodovia dos Trabalhadores – SP 170) e Rodovia Carvalho Pinto até São José dos Campos, Rodovia dos Tamoios (SP 99) até Caraguatatuba. Seguir rumo a São Sebastião pela Rodovia Rio-Santos (BR 101). É possível vir também pela Rodovia Mogi-Bertioga (SP 98), seguindo pela Rio-Santos e passando pelas praias de São Sebastião até chegar ao centro da cidade.

De lá, pegue a balsa para atravessar o canal com destino a Ilhabela. Vindo de São Paulo ou Rio de Janeiro pela Rio-Santos, o visitante chega direto a São Sebastião.

O tempo médio de travessia é de 20 minutos e as saídas acontecem a cada 30 minutos, das 5h30 às 23h30 – após este horário de uma em uma hora.

De ônibus: É preciso desembarcar em São Sebastião. Os ônibus de viações comerciais não entram na ilha, mas param bem próximo à balsa para que os passageiros possam fazer a travessia a pé (sem custo).

Como se locomover: Para explorar a região, a melhor maneira é de carro. Por conta das ciclovias, também vale a pena alugar bicicletas para passear entre as praias.

O que não pode faltar na mala: Biquíni, chapéu/boné, calção, protetor solar, repelente, saída de praia, tênis para as trilhas, canga, chinelo.

 

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