O que fazer em Washington além do óbvio

A capital dos Estados Unidos vai muito além da Casa Branca. Veja nossas dicas do que fazer em Washington

Por: Heitor Flumian

Pode até ser difícil pensar em Washington, capital dos Estados Unidos, e não relacioná-la à política americana. A principal atração da cidade, afinal, é a Casa Branca, onde vive o Presidente do país. Mas o destino, que só no último ano recebeu mais de 22 milhões de turistas, vai muito além disso. Tanto, que tem conquistado também espaço na programação de quem viaja para a vizinha Nova York, a apenas 328 quilômetros de distância.

Além de boas lojas e restaurantes, o roteiro cultural da cidade é intenso: Washington tem alguns dos museus mais interessantes da América do Norte, sem contar no National Mall, o parque nacional mais visitado dos Estados Unidos, onde Martin Luther King Jr proferiu o famoso discurso I Have A Dream.

Quer fazer uma viagem completa para lá? Então anote essas dicas:

PASSEIOS:

Dupont Underground

Uma boa maneira de ficar por dentro da programação da capital norte-americana é acompanhar a newsletter semanal do The Pink Line Project, pois traz dicas preciosas do circuito alternativo de eventos de arte, música, teatro e dança. A curadoria é feita pela produtora cultural Philippa Hughes, 50, que promove projetos e intervenções artísticas ao longo da cidade. Um deles é o Dupont Underground, que abriga em uma estação de bonde subterrânea abandonada, construída em 1949, sessões de cinema, mostras de arte e de fotografia, shows e até baladas — o lugar já sediou até uma festa da embaixada alemã.

Tiny Desk Concerts

tiny desk

Você pode não saber aonde fica, mas é bem provável que já tenha assistido a um dos shows do Tiny Desk Concerts no Youtube e imaginou como seria estar ali. A famosa baia, tomada por estantes abarrotadas com livros, LPs e pôsteres do jornalista Bob Boilen, e ocupada por músicos de gêneros distintos — do hip-hop ao jazz, passando pelo indie rock e o folk — que fazem shows para lá de intimistas, fica em plena redação do grupo de mídia National Public Radio (NPR), no centro de Washington. Para acompanhar as apresentações in loco, a dica é participar de eventuais tours pela empresa e tentar a sorte de estar ali na hora certa.

Saiba mais sobre a experiência no post Por dentro do Tiny Desk Concerts, em Washington: a mesa de trabalho mais cool dos EUA.

Monuments Bike Tour

Não dá para ir à Washington e não visitar seus principais pontos turísticos. Que tal fazer isso de bicicleta e na companhia de um guia? Essa é a ideia do Monuments Bike Tour, que dura três horas e passa por lugares como o Monumento de Washington e o Lincoln Memorial. A pedalada é tranquila e o programa vale para toda a família. Para saber mais, acesse: http://bikeandrolldc.com/tour/monuments-bike-tour

Georgetown

Reserve pelo menos um dia da viagem para explorar o charmoso bairro de Georgetown. Antiga região portuária do Estado de Maryland, a área, repleta de cafés, restaurantes e lojas famosas, mantém a arquitetura do século 18, diferente do resto da cidade. Vale, também, esticar o passeio até o Georgetown Waterfront Park, delicioso parque às margens do rio.

The Phillips Collection

Com diversos ótimos museus na cidade, não é fácil selecionar um. Pequeno, e  com obras de Van Gogh, Renoir e Edward Hopper no acervo, o museu de arte moderna The Phillips Collection é uma interessante opção. O destaque, porém, é a exposição The migration series, do norte-americano Jacob Lawrence, que ilustra o movimento em massa de mais de um milhão de afro-americanos do sul rural para o norte urbano nas primeiras décadas do século 20. Acesse: https://www.phillipscollection.org/

National Gallery

Este é, sem dúvidas, um dos museus mais importantes dos Estados Unidos. A  National Gallery conta com um acervo de peso: são cerca de 141 mil obras, entre pinturas, fotografias e esculturas, de artistas como Leonardo da Vinci, Vincent van Gogh, Claude Monet e Pablo Picasso. Acesse: http://nga.gov


GASTRONOMIA:

Ben’s Chili Bowl

Quando a fome apertar, não hesite em provar o chili half-smoke (US$ 4), um dos tradicionais hot-dogs do Ben’s Chili Bowl, aberto em 1958 e frequentado por celebridades do porte de Barack Obama. O mural do ex-presidente com a esposa Michelle, pintado ao lado da fachada, não é à toa. É uma das atrações da extensa via U Street, onde rima rola na calçada com rappers cantando sobre Deus, (des)esperança e resiliência, e a beleza se espalha pelos becos coloridos com grafites de ícones negros como Muhammad Ali, Prince e lendas do jazz como Duke Ellington.

Perry’s

Não é somente o menu que faz do Perry’s um dos restaurantes japoneses mais badalados da cidade. A casa, que também abre para o brunch e conta com uma carta de drinks elaborada, faz sucesso pelo charmoso terraço de onde se tem vista para o bairro de Adams Morgan. A fila de espera para conseguir uma mesa ao ar livre pode ser demorada, principalmente no verão. Acesse: perrysam.com

o que fazer em Washington
Foto: Divulgação

The Salt Line

Com uma bela vista para o rio Anacostia, o The Salt Line é uma das melhores opções da cidade para comer frutos do mar. O menu vai de clássicos como o clam chowder, sopa de vôngoles, aos diversos tipos de ostras frescas, que são as verdadeiras estrelas da casa. Acesse: thesaltline.com

Dupont Circle Market

Aos domingos de manhã, seja para um café ou brunch, vale a pena passear na Dupont Circle Market e experimentar os pães, sucos e queijos artesanais feitos por produtores da região. Na feira, você ainda encontra barracas especializadas em frutas e vegetais orgânicos. Acesse: freshfarm.org/dupont-circle

Minibar

Não é à toa que o intimista Minibar, comandado pelo chef espanhol José Andrés, garantiu duas estrelas Michelin. A casa, que recebe até 30 clientes por noite, trabalha com um menu sofisticado de 20 etapas feito com ingredientes frescos. Aqueles que quiserem uma experiência mais especial, podem reservar a José’s Table – além de se sentarem em uma mesa próxima à cozinha, experimentam criações exclusivas do chef. Acesse: minibarbyjoseandres.com


PARA CURTIR:

9:30 Club

Bastante frequentada por locais, a 9:30 Club, casa de shows aberta em 1980, é a pedida ideal para dançar e curtir o som de bandas da região. O espaço ainda conta quatro bares que servem várias opções de cervejas e chopes e, se der fome, também há itens para petiscar. Acesse: http://930.com

POV Lounge

Com vista privilegiada para a Casa Branca, as noites no sofisticado POV Lounge, que fica na cobertura do hotel W, são embaladas por uma trilha sonora animada e costumam receber hóspedes e locais em busca de badalação. Há quem diga que é um dos melhores lugares da cidade para ver e ser visto. Acesse: http://povrooftop.com

Sovereign

Um dos lugares mais legais de Washington para tomar cerveja, o Sovereign fica no badalado bairro de Georgetown e conta com uma seleção de 350 rótulos, alguns deles vindos de outras regiões dos Estados Unidos e de países como França e Bélgica, e 50 tipos de chopes. Acesse: http://thesovereigndc.com

The Wharf

É o point preferido dos locais atualmente: um antigo cais no qual foram investidos mais de U$S 2 bilhões em revitalização, traduzidos em descolados bares, restaurantes e lojas. À beira do rio Potomac, fica a alguns passos do suntuoso hotel Mandarin Oriental, que tem vista privilegiada da área, além de acesso direto ao Thomas Jefferson Memorial, outro importante monumento.


COMPRAS:

Kramerbooks & Afterwords

Além de contar com alguns títulos raros nas prateleiras, a Kramerbooks & Afterwords, tradicional livraria da cidade, em atividade desde 1976, organiza encontros de leitura. As manhãs de domingo, por exemplo, são dedicadas a histórias infantis. Aproveite o programa para tomar um café, comer, ou brindar no restaurante que há no local. Acesse: kramers.com

GoodWood

Já conhecida dos fashionistas da cidade, a GoodWood, em atividade desde 1994, vende roupas exclusivas, sapatos feitos à mão, acessórios e até móveis de décadas passadas – estes, criteriosamente garimpados em leilões na região. Dá para passar boas horas entre as araras e prateleiras da loja. Acesse: goodwooddc.com

Proper Topper

Objetos, chapéus descolados, roupas, livros de decoração e mel artesanal. Na pequena Proper Topper, na região de Dupont Circle, você encontra isso e muito mais. O bacana é que boa parte dos itens vendidos na loja são produzidos por estilistas e designers independentes. Acesse: propertopper.com

Eastern Market

Aos finais de semana, os arredores do Eastern Market, no bairro de Capitol Hill, se transformam na já tradicional feirinha ao ar livre que reúne artistas e produtores locais. Boa oportunidade para conhecer a cultura da região e garimpar fotografias, quadros e vasos de cerâmica.


ONDE FICAR:

The Graham 

No bairro de Georgetown, em meio a lojas e restaurantes, o elegante The Graham Hotel oferece amenidades da marca L’Occitane e conta com 57 suítes divididas em oito categorias. No terraço, há um bar animado de onde se tem vista para atrações como o Kennedy Center e o Monumento de Washington. Acesse: thegrahamgeorgetown.com

W Washington D.C.

A apenas duas quadras da Casa Branca, o enorme hotel W se destaca pela decoração contemporânea e suas confortáveis camas com lençóis de 350 fios. Há dois bares animados e pets também são bem-vindos no hotel. Acesse: https://www.marriott.com/hotels/travel/waswh-w-washington-dc/

The Jefferson

A sofisticação não está somente nas suítes do The Jefferson, um dos hotéis mais luxuosos de Washington. Os hóspedes têm acesso a um spa relaxante e serviço de transporte exclusivo. Além disso, o Plume, restaurante que há no local, é dono de uma estrela Michelin. Acesse: jeffersondc.com


Sobre o viajante:

Heitor FlumianHeitor Flumian é jornalista. Foi repórter da Trip Editora durante cinco anos, nos quais assinou reportagens nas revistas Trip, Tpm e GOL Linhas Aéreas. Já colaborou com veículos como revista Serafina e The Summer Hunter e, atualmente, se dedica à literatura e a roteiros de projetos audiovisuais. De vez em quando posta algo em sua página no Medium.

“Viajar bem, para mim, é estar inteiramente entregue ao lugar e a suas particularidades. De preferência, sem 4G e com um bom livro na mochila.”

 

Foto do abre: Andy Feliciotti

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