Cada mergulho é um flash: as dicas de Bruno Bezerra para tirar fotos no mar

Os amigos do fotógrafo carioca Bruno Bezerra (@bezerra), 35 anos, já sabem que precisam considerar algumas coisas na hora de tentar falar com ele. O dia está ensolarado? O mar está calmo? Vai rolar um pôr do sol bonito? Se a resposta for “sim” para as três, esquece: ele provavelmente não vai atender porque está dentro d’água.

Há cinco anos, Bruno, que já era conhecido da noite carioca por conta da Fotocabine e do Printgram, serviço de impressão de fotos que fundou para festas e eventos – ele atendia empresas como Farm e Nike –, começou a chamar atenção no Instagram com imagens aquáticas.

“Com a empresa estruturada, eu tinha mais tempo livre e passei a praticar canoa havaiana de manhã na Praia Vermelha. Eu registrava tudo com uma GoPro e depois postava na internet”, conta ele, que também foi um dos pioneiros no Brasil a utilizar o dome, equipamento que dá o efeito ‘metade dentro e metade fora d’água’ nas imagens. “Foi o suficiente para eu aparecer em vários perfis e veículos relevantes e me identificar com fotografia de natureza.”

O hobby logo foi promovido a atividade principal. Em 2018, Bruno vendeu a empresa para se dedicar totalmente à carreira de fotógrafo e, hoje, além dos ensaios, faz workshops sobre fotografia aquática.

A seguir, ele dá algumas dicas de como fazer imagens incríveis na água, seja no Rio de Janeiro ou em outros destinos.

Equipamentos

“Importante usar uma câmera à prova d’água ou com caixa estanque. Eu uso uma Sony Mirrorless, na maioria das vezes com lente 16-35mm. Após a sessão, não esqueça de lavar bem os equipamentos com água doce.”

Visibilidade

“Não dá para fazer fotos submersas boas em uma água que não seja clarinha. Busque praias famosas pelo mar cristalino. Fora isso, é sempre importante que o sol esteja a pino, isto é, bem lá no alto. Assim, o mar recebe iluminação suficiente para a imagem sair boa.”

Ensaio em Arraial do Cabo, RJ

Posição do sol

“Eu uso um aplicativo chamado Sun Seeker que diz a posição e a hora exata que o sol vai nascer e se pôr. Costumo chegar uns 40 minutos antes do amanhecer para pegar o céu bem colorido e depois aproveito a luz assim que ele passa pelo horizonte. No pôr do sol,  chego pelo menos 1 hora antes e depois fico mais uns 30 minutos após ele sair por completo. Costuma render boas imagens.”

Fique de olho nas condições do mar

“Não adianta ter uma luz boa para fotografar se o mar estiver agitado. Eu sempre checo o site Surf Connect para saber as condições. Os surfistas entram lá para ver se tem onda, e eu entro para ver onde não tem onda [risos].”

Onde fotografar no Rio de Janeiro

“As praias do Rio de Janeiro são boas tanto para fotos submersas, como para apenas aquáticas. Para o amanhecer, gosto do Posto 5, em Copacabana. No inverno, o sol nasce atrás de Niterói, e no verão, na linha do mar mesmo. É bom que a faixa de areia se prolonga um pouco, então dá para pegar o corpo da pessoa, não fica só a cabeça para fora.

Ensaio na Praia de Copacabana

A Praia Vermelha, na Urca, também é uma boa pedida. O sol nasce no meio da praia em janeiro, fevereiro, março, no final de setembro, outubro e novembro.

Para o pôr do sol, gosto da Praia do Arpoador. No verão, o sol se põe no mar à esquerda do Morro Dois Irmãos. Já no inverno é entre os morros. As luzes são diferentes. A Praia da Barra, na altura da Praia do Pepê, também é um bom local. Um detalhe: quando você entra na água, parece que é mais fundo, mas em seguida já aparece um banco de areia.

Fora da capital, vale a pena levar a câmera para a Região dos Lagos, como Cabo Frio e Arraial do Cabo, onde o mar é cristalino. Gosto da Praia Grande tanto para o amanhecer como para o entardecer.”

Onde fotografar fora do Rio de Janeiro

“As praias de Fernando de Noronha são ótimas. A água é clarinha o ano inteiro. Já fiz uma sessão em Barra Grande, em Alagoas, que também ficou legal.

Agora um lugar que eu achei sinistro foi Atins, nos Lençóis Maranhenses. A água é da chuva, então a visibilidade é incrível.”

    

A modelo Paola Antonini em Fernando de Noronha; e casal em Atins, nos Lençóis Maranhenses

Acompanhe o trabalho do Bruno em @bezerra:


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