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Talita Ribeiro e o Turismo de Empatia: uma viagem ao coração do outro

A jornalista e escritora passou um mês no Oriente Médio com o foco em conhecer não apenas lugares, mas a história e tradição de refugiados de guerra

10/ago , 2020

 

A jornalista Talita Ribeiro viajou sozinha em 2015 durante um mês pela Jordânia, Iraque e Turquia visitando projetos sociais e lares de sírios e iraquianos que fugiram da guerra em seus países de origem. Ela definiu a viagem com o conceito de “turismo de empatia”, em que o foco não é apenas passar momentos de lazer em pontos turísticos, mas sim conhecer além das paisagens: as histórias e tradições das pessoas – no caso dela, pessoas que vivem em meio a guerra.

“É uma viagem para se conectar com o outro, não necessariamente a um espaço físico. Você pode incluir atrações turísticas no seu roteiro, mas o foco da viagem é entender a realidade por meio do olhar de quem vive em meio a ela e está disposto a compartilhar com você”, diz.

Como fazer uma viagem de Turismo de Empatia? Confira as dicas da Talita:

 

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Por que eu quero fazer esta viagem?

“O que você quer entender do mundo e com quem você quer se conectar? O primeiro passo é se perguntar sobre o que você tem interesse sincero em conhecer e ouvir, porque você irá mais ouvir do que falar.

No meu caso, eu queria entender a realidade dos refugiados que vivem no Oriente Médio. A justificativa para esta viagem é construir e atravessar pontes que de outra maneira seria muito difícil.”

Montando o roteiro

“Esta não é uma viagem que você compra em uma agência, como os roteiros de turismo de voluntariado. No meu caso, eu tive que pesquisar muito sobre os hábitos dos lugares que eu ia para não fazer algo que pudesse ser interpretado, por exemplo, como uma atitude desrespeitosa.

Isso vai desde o seu modo de agir e abordar as pessoas até quais roupas deve vestir. Foi a mala mais difícil que eu preparei na minha vida, porque a temperatura chegava a 40 graus de dia mas as roupas deveriam cobrir todo o meu corpo. E, a noite, fazia muito, muito frio.”

 

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Foto: Talita Ribeiro

Dicas de quem já foi

Quem já foi aos lugares que você quer ir ou pode te indicar pessoas que tenham boas dicas para o seu roteiro? No caso da Talita, ela contatou projetos de refugiados no Oriente Médio e jornalistas que já haviam ido para os países que ela queria visitar.

“A viagem começa muito antes do embarque! É impossível fazer Turismo de Empatia sem uma pesquisa prévia, principalmente para que você esteja bem preparado física e emocionalmente para tudo que irá viver.”

 

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Lidando com imprevistos

Dependendo do seu roteiro, não é bom viajar com o dinheiro contado.

“Eu pretendia ficar alguns dias em Beirute e minha passagem já estava comprada. Porém, dias antes da minha viagem, aconteceu um atentado terrorista que deixou mais de 200 mortos na região em que eu ficaria hospedada. Decidi não embarcar e tive que pagar uma taxa para remarcar o bilhete. Por isso, é importante ter uma reserva de dinheiro para lidar com estes imprevistos.”

Linguagem universal

“Eu não falo árabe, mas os voluntários dos projetos sociais traduziam para mim as informações em inglês, que foi o idioma mais usado na viagem. O sorriso e as brincadeiras, porém, são uma linguagem universal que conecta as pessoas.

Uma enfermeira me deu a dica de levar balões para as crianças, porque era algo fácil de transportar e barato. Quando eu enchia os balões de ar, a magia acontecia, porque era como se eles fossem um respiro lúdico em meio a guerra, um momento de leveza tanto para as crianças quanto para os adultos. Essa experiência também me fez passar a enxergar a vida de uma maneira mais leve.”

 

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Foto: Talita Ribeiro

Como eu posso ajudar?

Ao voltar da viagem, Talita resolveu escrever um livro e usar o valor arrecadado com ele para ajudar os projetos sociais que conheceu de perto. Em 2016, por meio de um financiamento coletivo, suas memórias transformaram-se no livro Refugiados no Oriente Médio.

“Escrevi este livro para que as pessoas enxerguem o outro, antes de tudo, como alguém igual, que merece respeito e direitos garantidos. É preciso ter a consciência de você não está indo salvar ninguém nesta viagem nem arrumar um significado para a sua vida. No meu caso, eu voltei me questionando como eu poderia ajudar as pessoas que eu conheci.”

 

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Acompanhe a Talita, que hoje mora em New Castle, Delaware, nos Estados Unidos, pelo Instagram: @talitaribeiro

Fim

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